sexta-feira, 29 de julho de 2011

ENTREVISTA DE LUÍS JARDIM AO CORREIO DA MANHÃ

 
É um dos músicos e produtores portugueses mais conhecidos em todo o Mundo. A trabalhar com bandas como Coldplay, aceitou, outra vez, ser jurado num programa de talentos da TVI.

CM - "Canta Comigo", que estreia dia 7 de Agosto, é um formato idêntico a outros como "Uma Canção Para Ti" (TVI) ou "Ídolos" (SIC)?
LJ - Não, penso que tem uma função mais de entretenimento do que naseriedadedeescolherum vencedor. É um programa de talentos para todas as idades.

CM - O que torna este programa interessante e diferente de outros do género?
LJ - Num programa destes podem aparecer pessoas que nunca imaginariam entrar num "Ídolos". Há bons cantores, até mais velhos, que nunca arriscariam. Este programa segue o caminho de "The British Got Talent". É uma oportunidade. A estreia será em Albufeira, depois iremos para outras cidades. A final deve ser em Lisboa.

CM - Este júri conta com a Fátima Lopes, que nada tem a ver com o mundo da música…
LJ - É verdade. Mas havendo uma pessoa como eu, alguém como a Fátima vê o outro lado a que eu não presto muita atenção, e ela lida com artistas seis dias por semana.

CM - Ajudou na eleição do júri?
LJ - A única coisa que eu exigi foi ter um bom júri. E gostei deste. Ainda gosto mais quando temos um cantor no júri todas as semanas, porque é ter alguém que faz exactamente aquilo que vamos estar a julgar. O júri, para mim, é 90 por cento daquilo que me fez aceitar o desafio.

CM - E a Rita Pereira enquadra-se melhor no papel de anfitriã do que como jurada?
LJ - A Rita dança e canta, e percebia quando havia desafinações. A Rita não é parva. Foi até Los Angeles, aprendeu a dançar e a cantar, como fazem todos os profissionais nos EUA ou em Inglaterra. É espampanante, é visual, está sempre nas revistas, portanto leva porrada por todos os lados...

CM - E o que podem esperar os participantes deste tipo de programas de talentos?
LJ - Neste país é difícil singrar e são poucos os que fizeram carreira após os concursos... Temos o João Pedro Pais, Sara Tavares... Veja-se a Diana, minha enteada, que participou no "Ídolos" e ainda não editou um disco. Nos outros países fazem-se programas para encontrar estrelas, aqui não.

CM - E porque nunca editou ou produziu para a Diana?
LJ - A Diana é muito independente, ela quer fazer por si. E ela gosta de rock, de metal, e sabe que Portugal é um mercado limitado para este tipo de música,daí apostar no mercado internacional.

CM - A Diana está a estudar?
LJ - Sim, está nos EUA, mas também já deu alguns concertos.

CM - Mesmo sem grandes perspectivas, as pessoas continuam a ir a estes programas. É pelos 15 minutos de fama?
LJ - É verdade e, por isso, vou já avisar os mais velhos que não vou ser nada simpático para quem lá for fazer-me perder tempo.

CM - Qual o conselho para quem tem talento, de facto?
LJ - Procurem um grupo de produtores independentes.

CM - Já propôs um programa de música contínuo, como os que existem nos EUA ou em Londres, com actuação de bandas? Já pensou nisso?
LJ - Não só pensei como tenho uma sinopse de um programa completo que já foi apresentada a alguns canais de televisão, que neste momento estão satisfeitos com as 50 novelas, programas de notícias deprimentes e futebol. A música, mais uma vez, não interessa.

CM - E a sua academia?
LJ - A academia está a funcionar mas fechada, no fundo. Estou ligado à Câmara de Oeiras e o presidente, Isaltino Morais, excelente autarca, está com problemas e o País também. De momento não me podem dar 150 mil euros para acabar a escola. Temos uma banda local a tocar lá e aulas de instrumentos com dois professores a funcionar. Mas é tudo a uma escala muito pequena.

CM - Portanto, David Gomes (vencedor em 2009 de "Uma Canção Para Ti") ainda não tem aulas na sua academia.
LJ - É a minha vergonha nacional. Claro que ele será o aluno 001, mas neste momento não tenho uma sala para lhe dar formação. Mas tem lugar garantido.

CM - É primo do presidente da região autónoma da Madeira. Interessa-se por política?
LJ - Gosto muito de política, esporadicamente converso com o meu primo Alberto João, normalmente em jantares oficiais e sociais,masdivertimo-nos mais do que grandes comentadores políticos. Ele é uma pessoa super bem-disposta.

CM - Abriu uma editora?
LJ - Cheguei a abrir uma editora, mas vi que não funcionava, porque não tinha apioio de rádios nem de nada e fechei. Decidi trabalhar para as outras editoras. Faço produção/realização.

CM - Disse que havia muito talento em Portugal...
LJ - Acho que há imenso. E em "Uma Canção para Ti" é o verdadeiro, porque não têm vícios. Quando chegam ali levam com temas que têm 30 anos e interpretam de uma forma espectacular.

CM - Porque é que os nossos artistas não apostam mais numa carreira internacional?
LJ - Porque são comodistas (risos). Um dia disse ao Rui Veloso, porque é que ele não fazia isso, pois canta bem em inglês, e ele disse-me que estava bem aqui com o seu vinho... O português gosta de estar no seu cantinho. Mas lá fora é duro. Andei com a Tina Turner durante três anos. Fazíamos 5 concertos por semana. Cheguei a a estar fora de casa 18 meses. 

CM - Portanto, aconselha uma carreira internacional?
LJ - Sem dúvida nenhuma. A única diferença entre nós e os "ABBA" é que eles são suecos e nós portugeses. A Björk veio de uma ilha da Islândia.... Eu conheço produtores portugueses, que vivem em Inglaterra, que ninguém sabe que eles são portugueses, porque têm sucesso. Nem se incomodam com isso. Temos é de acreditar nos novos talentos. Eu tenho 15 na minha agenda. Eu quando cheguei a Uma Canção nem acreditava no que estava a ouvir.

CM - Tem em mãos uma megaprodução musical (Live Beach By Night)...
LJ - Estou em Mangualde, na praia artificial, a gerir e produzir um espectáculo com vários artistas como Tony Carreira, Rui Veloso, etc. A Teresa (minha mulher) é directora de Produção e agendou os artistas de forma a poder abranger a variedade de público. 

CM - Outros projectos?
LJ - Em Londres: Coldplay, Yes, Adele. Nos EUA: Chris Botty e algumas bandas sonoras. Produzi o Pedro Garcia e estou a gravar com Meu Outro Tanto, do Porto. Estou à procura de repertório para um artista dominicano, que vou gravar para o mercado americano.
 
fonte: Correio da Manhã

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