segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Factor X - A análise da segunda gala


O "Factor X" regressou este Domingo, numa gala que ditou a expulsão de Rita Cabreira. O segundo directo conduzido por Bárbara Guimarães e João Manzarra ficou uma vez mais marcado por algumas falhas graves de produção e realização, embora com ligeiras melhoras face à primeira gala.

Depois de uma primeira gala que desapontou os espectadores mais assíduos e aficionados do formato, era esperado que a Freemantlemedia Portugal se redimisse e apresentasse uma gala espectacular. Com muita pena, tal não aconteceu.

As escolhas musicais dos mentores/jurados foram, indiscutivelmente, bem mais acertadas do que na gala anterior, e as interpretações dos concorrentes, é certo, muitíssimo melhores. Convém também realçar a excelente interacção entre os jurados, com os constantes atritos e brincadeiras e, claro, a excelente prestação de Bárbara Guimarães e João Manzarra, a quem não temos rigorosamente nada a apontar.

Mas isto, por si só, não chega. Não são só as interpretações que fazem este programa, mas principalmente o espectáculo e as performances.  E isso, voltou a falhar. E voltaram a faltar muitas coisas: um bom aproveitamento do cenário, jogos de luzes mais dinâmicos, adereços, bailarinos,...  no fundo, faltou o ritmo que tão bem caracteriza este formato nas diversas versões internacionais que têm sido feitas.

Atente-se, por exemplo, na actuação de Mariana, a jovem açoriana que surpreendeu com "Turnig Tables", da Adele, e que foi um dos momentos altos da noite. Na verdade, a magia do momento não foi apenas criada pela belíssima interpretação da concorrente, mas também por toda a envolvente que foi criada, desde logo o fumo, o pianista em palco, a correcta utilização dos focos de luz e, claro está, uma boa filmagem. Faltaram mais momentos destes durante a gala.

A realização do programa continua a cometer erros crassos, fazendo parecer que a equipa que trabalha no "Factor X" se limitou a ver os programas piloto das fases de audições das versões internacionais, e esqueceram-se de aprender a fazer as galas - acharam, decerto, que o know how do "Ídolos" chegava, mas engaram-se. A filmagem continua demasiado dançante, demasiado tremida e não há uma boa utilização dos planos gerais, como os movimentos das gruas que eram constantemente cortados a meio. Parece-nos, também, que algumas câmaras não estão colocadas nos melhores sítios. Apesar disso, em relação à primeira gala, a realização melhorou ligeiramente.

Uma outra falha que vamos continuar a apontar, até porque somos fãs confessos do formato internacional e estamos habituados a esta característica, é a falta de voz-off no final das VT's dos concorrentes, embora já tenha dado para perceber que foi uma opção da produção - péssima, por sinal. De todas as versões internacionais do "The X Factor" não conhecemos uma única que tenha abdicado da voz para anunciar os concorrentes antes deles actuarem.

Também a VT de introdução aos convidados continua a faltar. Já tentamos perceber o porquê desta ausência e, sinceramente, não encontramos até agora um motivo válido para que tal não seja feito. Das duas uma: ou as versões internacionais não foram vistas com rigor ou, então, são opções (erradas) da produção portuguesa.

E já que falamos dos convidados especiais, que esta semana foram os "Il Divo" - um dos maiores trunfos da gala -, não podemos deixar de falar da (má) entrevista feita à banda. Mas que raio de entrevista foi aquela!? Os elementos do grupo foram quase tratados como jogadores de futebol, numa entrevista em que se esperava mais profissionalismo. Deixamos a dica: a Wikipédia pode ser um grande auxílio na preparação da entrevista - peçam ajuda à Alexandra Lencastre, que já demonstrou saber fazer boas pesquisas em programas da concorrência.

Outro ponto negativo da gala continua a ser o som. Houve melhorias, mas uma vez mais foram muito reduzidas e, nos comentários que choveram durante todo o programa na página do Facebook do "Factor X", muitos espectadores se queixaram de um ruído - nós próprios ouvimos várias vezes esse ruído em casa, principalmente durante as VT's. Além disso, há ainda pequenas afinações de áudio que são necessárias fazer durante as actuações.

A parte final da gala, com os concorrentes em risco de sair, também precisa de ser melhorada e ritmada, embora compreendamos que foi a primeira vez que aconteceu o frente-a-frente (o que não desculpabiliza o erro). Seria interessante que, na próxima gala, o espectador em casa não tenha que estar à espera que guitarras, microfones e munições sejam preparados.

A interactividade do programa com as redes sociais, particularmente com o Twitter, continua a ser um ponto muito positivo do programa, pelo qual temos que dar os parabéns à produção por fazer essa aposta. É sempre bom dar espaço ao que os espectadores pensam e mostrar-lhes que a sua opinião também conta.

O momento alto da noite foi, como já referimos, a actuação de Mariana - arriscamo-nos a dizer, um dos melhores momentos até agora proporcionados pelo "Factor X". Um momento menos bom, embora não tenhamos grandes erros a apontar, foi protagonizado pelos X4U; não é que tenham cantado mal, mas o grupo não nos convence (achamos que se estão a colar demasiado aos "One Direction") - uma opinião bem diferente da maioria dos portugueses que tem salvado este grupo, e que respeitamos.

A maior desilusão foi, para nós, o tema de Berg. Na verdade, o concorrente esteve, como sempre, perfeito na interpretação. Mas esperava-se mais, porque já nos habituou a tanto e a tão bom, que vamos estar sempre à espera de momentos cada vez mais surpreendentes. Talvez o erro tenha sido da sua mentora, Sónia Tavares, com o tema escolhido.

Por fim, não podíamos esquecer a concorrente que disse adeus ao "Factor X". Após a votação do público as Cupcakes, pertencentes à categoria Grupos, e Rita, que faz parte da categoria dos jovens, foram as menos votadas, e coube aos jurados a decisão de escolher quem continuava em jogo. Uma votação difícil, cuja batata quente recaiu sobre Sónia, que optou por salvar as Cupcakes - uma escolha, na nossa opinião, errada, embora compreendamos os motivos que levaram a vocalista dos "The Gift" a tomá-la.

No entanto, para nós, também as Cupcake mereciam ter continuado, até porque defendemos que há concorrentes já deviam ter abandonado o programa e continuam em competição. Mas são os portugueses quem decide, e está nas mãos do público não deixar que os seus favoritos fiquem em risco.


Não queremos ser acusados de fazer apenas crítica e, por isso, convém reiterar uma vez mais que este é um grande programa. A equipa do 'Olhar a Televisão' segue atentamente o "Factor X" e também as versões internacionais e, por essa razão, queremos o melhor para a versão portuguesa, até porque temos condições para fazer tão bem como lá fora. As nossas críticas são construtivas e, se nos sentimos tão desiludidos, é porque esperamos sempre o melhor deste programa (ao qual, durante a fase de audições, bootcamp e decisão final, nada tivemos a apontar).

Esperamos, sinceramente, que alguém "grande" nos ouça do outro lado e que, já no próximo Domingo, esta rubrica seja apenas para felicitar a produção do programa pelo excelente espectáculo.

Ah... só mais uma coisinha...
Alguém nos consegue explicar para que serviu
aquele robô (para além de atrasar as entradas em palco) !?

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