segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"Factor X" - A Análise de uma gala que prometeu... mas não cumpriu


A derradeira fase do "Factor X" começou este Domingo. Com as galas, chega também ao 'Olhar a Televisão' este novo espaço. Todas as semanas, vamos abordar os pontos positivos e negativos de cada programa, procurando construir uma opinião rigorosa que vá ao encontro da visão do grande público.

Eram muitas as expectativas em relação a esta fase do "Factor X" e, talvez por isso, saímos mais desapontados com esta primeira gala. O programa está a ser produzido pela primeira vez em Portugal, é certo, mas isso não desculpabiliza alguns erros (graves) que aconteceram esta noite, mais ainda quando a produção de fases anteriores (como o bootcamp ou a decisão final) em tudo levou a crer que não aconteceriam nas galas.

A principal falha prende-se, sobretudo, com a má realização. Quem segue atentamente as versões internacionais do "The X Factor" estava à espera de uma filmagem mais sóbria, mais clean, mais moderna. Por momentos, a sensação que passou foi a de que os operadores de câmara andavam à procura do seu plano, e só o encontraram instantes depois. As câmaras (exceptuando as gruas e a steady-cam), deviam ter ficado "estacionadas" em locais estratégicos para acompanharem o movimento dos concorrentes, mas sem se movimentarem.

A abordagem podia ter passado por planos menos próximos e mais gerais (os poucos que foram feitos resultaram na perfeição). Os concorrentes, esses, deviam ter-se movimentado no espaço (bem generoso) do palco. Mas até que ponto a falta de adereços não contribuiu para esta sensação de espaço vazio? Sabemos que o tempo de preparação entre as actuações é reduzido, mas a produção não podia, de forma alguma, contentar-se apenas com luzes do cenário e com as imagens transmitidas nos ecrãs led - que, aliás, nem sempre foram as mais acertadas para acompanhar as interpretações.

Outro ponto muito negativo foi o tratamento do áudio. Neste tipo de programas, o som costuma ser equalizado para quem assiste em casa e, quem está no estúdio, nem sempre ouve da melhor forma. Mas parece-nos que aconteceu exactamente o oposto. O som transmitido chegou a ser absurdo - desde as palavras do Augusto Seabra que não sobrepunham à música de fundo, à voz dos concorrentes (sobretudo nos grupos) com volume intermitente. Além disso, parece-nos que nem todos aprenderam a segurar devidamente os microfones. 

Uma outra falha grave, talvez uma das marcas mais características das versões estrangeiras, foi a ausência da voz-off que lança os concorrentes em cada vídeo de apresentação (vídeos, esses, que nos pareceram demasiado curtos). Além disso, o convidado musical também não teve direito a VT de apresentação, fugindo uma vez mais ao estilo dos formatos internacionais.

Por último, frisar a má escolha dos temas pelos mentores. Numa gala de estreia, eram esperados temas musicais capazes de envolver o público (quer no estúdio, quer em casa), e em que os concorrentes pudessem mostrar todo o seu potencial - o que não aconteceu. 

Fica, acima de tudo, a sensação de uma preparação insuficiente por parte de toda a equipa do programa e que, como diz a sabedoria popular, "foi feito em cima do joelho". Mas porque "depressa e bem, há pouco quem", as coisas não saíram perfeitas (bem longe disso). No fundo, esquecendo o cenário, o genérico, os grafismos e o logo que figurava no canto superior direito do ecrã, poderíamos perfeitamente confundir esta gala com mais uma do "Ídolos".

Mas nem tudo foi negativo. A primeira gala do "Factor X" teve aspectos que devemos realçar pela positiva. Desde logo, dar os parabéns pelo magnifico cenário que nos apresentaram (ainda que não tenha sido aproveitado da melhor forma). Com traços quer do formato britânico, quer do americano, este cenário apresenta uma marca própria, com jogos de luzes interessantes e ecrãs bem posicionados. Os oráculos são semelhantes aos que estão agora em uso no "The X Factor USA", o que nos parece também uma boa escolha.

Convém também realçar que, afinal, a dupla Bárbara-João resulta. E resulta melhor do que se esperava. Não tivemos uma Bárbara excêntrica a tentar dominar o programa, nem um Manzarra a querer ser engraçado e a mandar a sua piada. Tiveram ambos os seus papéis, ocupou cada um o seu lugar. E funcionaram, quer nas dinâmicas, quer visualmente no ecrã.

A interactividade com as redes sociais é outro ponto a louvar. No Twitter, durante toda a sua emissão foi o assunto mais falado. O aproveitamento das redes sociais é uma mais valia para o programa, principalmente pelo aumento da proximidade com o público. E é de salientar a ideia inovadora de, durante a gala, serem lidos comentários que o público faz sobre os jurados, os apresentadores e as actuações.

Chegamos, por fim, talvez ao ponto mais controverso entre os espectadores: as expulsões. Nesta primeira gala, Daduh King, as Netas do Fado e a Mafalda disseram adeus à competição, que conta agora com 12 concorrentes (4 de cada categoria). Os mentores não tiveram tarefa fácil. Qualquer concorrente que chegue a esta fase é já muito bom e a escolha, por vezes, recai em mínimos pormenores que podem diferenciar um muito bom de um excelente - e parece-nos ter sido isso que aconteceu esta noite.


O "Factor X - A Análise" regressa na próxima semana para marcar a diferença!

1 comentário:

  1. Eheh vejo tantas críticas que chego à conclusão que só eu é que gostei de ver ontem a primeira gala do "Factor X". Talvez me contente com pouco, é possível, mas, como não vi as edições estrangeiras, não posso fazer comparações, daí comparar apenas com o "Ídolos".

    Trata-se, a meu ver, de uma produção limpa (apesar de algumas injustiças nos castings, mas compreende-se a dificuldade dos - então - jurados - agora, mentores) e muito mais low profile do que o "Ídolos", em que exploravam os chamados "cromos" - aqui só houve dois ou três... E já foi demais! - e tinham extraordinários músicos e bailarinos, que podiam distrair o público - e distraíam-no - do que era o ponto fulcral do programa: as vozes dos concorrentes (quase todos muito bons, por sinal). Sem deixar de referir que, no "Factor X", não há jurados "mauzões", mas sim mentores, que incentivam, ajudam e apoiam os seus concorrentes, tentando puxar o melhor que há neles (nem sempre o fazem, é certo, mas a intenção é a melhor possível e sempre construtiva).

    Enquanto, ao ver as audições, ficava triste por não ter passado do casting do júri (embora com um sim da Sonia Tavares e um "nim" do Paulo Ventura), vendo outros muito inferiores a mim (sem falsas modéstias, é a realidade) a seguir em frente, depois da gala de ontem percebi que, caso tivesse chegado até ali, seria uma das primeiras - senão mesmo a primeira - a sair, pois qualquer um deles merece lá estar mil vezes mais do que eu. Aplaudo-os de pé!
    Houve, inclusive, um concorrente cujo casting odiei e que me deixou indignada por ter passado... No entanto, o Paulo Ventura teve a enorme inteligência de o incluir num grupo fabuloso e, com isso, conseguiu camuflar os seus defeitos.

    A única coisa que me desagradou na gala de ontem foram as canções escolhidas para alguns concorrentes (como a grande Mariana Rocha, por exemplo), não pelas canções em si, mas por em nada ajudarem os concorrentes a mostrar o que valiam e, assim sendo, faço um apelo aos mentores: por favor, ponham os concorrentes a cantar na sua praia, não lhes dêem desafios que nada tenham a ver com eles... Porque ser cantor não é - de todo - cantar qualquer estilo, mas ter o seu próprio estilo e defendê-lo de forma soberba (com certeza, não poriam o D8 a cantar fado, por exemplo, certo?).
    Nesse quesito, a meu ver, a Sonia Tavares foi a que mais se aproximou da perfeição (talvez por ser, ela própria, cantora).

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