segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um "Factor Promessa" que, afinal, não foi cumprido!


As expectativas para a terceira gala do "Factor X" eram muitas, mas não passaram de uma mera ilusão. As promessas foram feitas, é certo, mas nada foi feito para as cumprir. Já diz o ditado que “promessas, leva-as o vento” e, de facto, esta gala voou. Mas voou para um sítio não muito bonito.

Há uma semana manifestámos o desejo de felicitar a SIC e a FremantleMedia pela terceira gala do "Factor X". O programa necessitava de uma reestruturação profunda e, na sequência das muitas críticas, algumas mudanças foram prometidas por Gabriela Sobral, directora de produção do canal. Mas as tão apregoadas mudanças não passaram, afinal, de promessas, e as expectativas, essas, saíram uma vez mais defraudadas.

Deparámo-nos,  pela terceira semana consecutiva, com uma questão pertinente: o que raio estão a fazer com este programa? Não quererão, com certeza, arruína-lo, mas para lá caminham. Façamos uma análise detalhada desta gala para perceber as falhas que persistem, a começar pela entrada dos apresentadores em palco. Ups, não houve entrada. O genérico acabou e Barbara Guimarães e João Manzarra já estavam no palco. Mas o que é isto? Onde está a entrada épica dos apresentadores? E os concorrentes, não têm direito a abrir a gala com um tema em conjunto?

Mas as falhas não se ficaram por aqui. Como se não bastasse, depois de um início sem graça, as actuações foram tudo menos engraçadas. Por muito bons que os concorrentes sejam - e são - é necessário um envolvimento que torne as suas interpretações em verdadeiras performances de palco. No fundo, é disto que o programa precisa: de um espectáculo a cada actuação.

José Freitas abriu a noite, mas o brilho da sua voz não chegou para iluminar a actuação. Faltaram adereços, bailarinos, bons jogos de luzes. Ainda assim, a sua mentora soube aproveitar a música colocando um coro em palco. Seguiu-se a concorrente Sara, que deliciou o público com "Skyfall", da Adele. E como é que é possível cantar Adele só com um cenário e luzes alaranjados? E onde andaram o piano, os bailarinos, o fumo?

D8 surpreendeu com um rap dedicado a Paulo Junqueiro, mas a realização deixou muito a desejar. O voo de que falamos no início deste texto apanhou, com certeza, turbulência durante esta actuação. E turbulência bem forte! Mas, por entre correntes de ar frio e quente, a gala lá foi continuando, com a actuação dos X4U.

E finalmente foram vistos os primeiros adereços da noite. Muito discretamente apareceram em palco dois caixotes - objectos caríssimos, por sinal. E quando pensamos que o espectáculo iria começar, enganámo-nos. A interpretação que se seguiu, dos Yeah!Land, nem a um caixote teve direito - e esta música dos "The Lumineers" merecia mais. Seria assim tão difícil encontrar, por exemplo, guitarristas para "encher" o palco? Já que melhoraram os backing tracks dos temas (porque isso, notou-se), nem precisavam de ser instrumentistas "a sério", bastava fazerem playback que ninguém iria notar!

Na actuação de Diogo, um dos concorrentes que mais atritos suscitou entre os jurados, o voo ter-se-á, decerto, dirigido para o espaço. Dizemos isto pela presença de autênticos OVNI's em palco. É que a falta de adereços começa a ser tão notória que, quando estes surgem, parecem objectos estranhos não identificados. E desta vez não foram dois caixotes, mas sim três bolas - uma evolução, pelo menos no número!

Mariana teve, também, a felicidade de cantar ao lado de duas bolas, desta vez espelhadas. Pena é que, com a música tão ritmada que a concorrente açoriana nos apresentou, os espectadores não tenham vivenciado o ambiente de discoteca. As imagens e os focos de luz cumpriram o seu papel, é verdade. Mas numa pista de dança, dança-se. E quem dança, são os bailarinos. E bailarinos, não houve! Também a filmagem deixou muito a desejar. Para quê tantos zoom's na cara da jovem? Para quê?

Mas voltemos um pouco atrás, à actuação de Jair com o tema "Love Boat", um clássico intemporal que remete para a série homónima. O concorrente dos adultos não desiludiu na interpretação, mas para não voltar a falar dum palco excessivamente vazio (porque já cansa "bater sempre na mesma tecla"), falemos das imagens de background que nos pareceram completamente aleatórias. Onde andava o barco de que a canção tanto fala? Se calhar, afundou-se pelo caminho! E se não forem tomadas medidas, talvez isso aconteça também ao programa. Ou será que já está a acontecer?

As Cupcake, por sua vez, tiveram o privilégio de ter tido uma das mais bem "iluminadas". E por bem iluminada, entenda-se, sem jogos de luzes inconstantes, sem luz a mais, sem luz a menos. Quase próximo do ponto. Apesar disso, continuou a faltar tudo o resto - e começa a tornar-se repetitiva esta parte.

O último grupo da noite foram os Aurora e, tal como já nos habituaram, cantaram em português, um ponto, desde logo, a destacar, pois é importante que nestes programas se valorize a nossa língua. O grupo foi acompanhado ao piano por Nelson Canoa, principal responsável pelos "Bandídolos", banda residente do "Ídolos" - sem dúvida, uma mais-valia.

Berg, depois da desilusão da semana passada, regressou em força nesta gala. As imagens que pintaram os ecrãs durante a sua actuação foram, talvez, as melhores da noite, faltando apenas movimento em palco (mas isso, também já não é novidade).

Findadas as actuações dos concorrentes, foi altura para receber o convidado especial da noite. Depois de Richie Campell e dos Il Divo, calhou ao espanhol Pablo Alboran o "privilégio" (se é que assim se pode chamar) de pisar o palco do modesto "Factor X" lusitano. Para não variar, e parece que a produção gosta de ser criticada por este ponto, voltou a faltar uma VT de apresentação do convidado. E, desta vez, nem a uma pequena introdução o convidado teve direito. Não obstante, a actuação foi excelente, sendo um dos momentos da noite que teve melhor realização. A entrevista feita pela dupla Bárbara-João, face à realizada no Domingo passado, também melhorou substancialmente.

Depois de contados os votos do público, Jair e os X4U foram submetidos ao frente-a-frente. No momento em que davam o seu melhor para continuarem na competição, as suas músicas foram cortadas quase que sem aviso. Sabemos que tudo se trata de uma questão de tempo, e que o tempo em televisão é "sagrado". Mas é impensável que o façam tão bruscamente e de forma tão pouco profissional - se já tinham conhecimento do tempo reduzido de programa, podiam ter preparado atempadamente o corte das músicas.

No final, e depois de Sónia Tavares e Paulo Ventura terem salvado os elementos das suas equipas, calhou a Paulo Junqueiro a batata quente que, surpreendendo tudo e todos, optou por manter os X4U em jogo - uma das maiores injustiças da noite. Na nossa opinião, o Jair foi (e é) uma das principais vozes deste programa e marcou o "Factor X" logo no primeiro dia de audições. Com a sua saída, o programa perde mais do que aquilo que pode vir a ganhar com os X4U.


Para nós, a justificação utilizada por Junqueiro não convenceu, e tudo não passou de uma certa vingança pessoal à mentora dos adultos, que na semana passada também não salvou a sua concorrente. Mas quem somos nós para contestar a decisão do "director da Sony Music Portugal", como tão bem fez questão de frisar!?

Não podemos passar aos pontos positivos sem referir uma situação, no mínimo, caricata. Enquanto Sónia Tavares apresentava um dos concorrentes, pudemos ver alguém a correr atrás da jurada. Será que não há seguranças no estúdio? Ou a plateia faz o que quer e anda como quer? Isto para não falar de uma câmara cuja imagem falhou e de um ruído ensurdecedor que assombrou os ouvidos dos telespectadores na recta final do programa.

Ah, e há uma voz-off que teima em não aparecer! Será que alguém a consegue encontrar? E, já agora, se conseguirem, arranjem também um bom insecticida para aqueles "auriculares aranha" que andam sempre a trepar pelas cabeças dos concorrentes.

Os únicos pontos positivos de uma gala que, de resto, se esperava ser a mais elogiada foram apenas: a melhoria significativa do som, os atritos e brincadeiras entre os mentores, a interacção com as redes sociais e a prestação dos apresentadores.

Seria interessante perceber o que se passa na cabeça da produção neste momento. Estarão, de alguma forma, satisfeitos com o produto? Se estão, questiona-se o conceito de qualidade. Mas se não estão, então não se percebe porque não fazem aquilo a que o formato obriga. Ou será o orçamento de tal forma reduzido que torna impossível fazer tão bom como no estrangeiro?

É que partindo desta premissa, mais valia a SIC não ter comprado o formato e produzia mais uma edição do "Ídolos" - que, em boa verdade, é o que está a ser feito com estas galas (embora, em certos aspectos, as galas do "Ídolos" conseguissem ser bem melhores). Apesar das declarações de "Gabi", como é carinhosamente tratada pelos colegas, não nos parece que a alegada falta de dinheiro seja uma razão para o tratamento que está a ser dado ao programa. Aliás, a responsável pela produção da SIC já afirmou noutras ocasiões ter um orçamento bastante generoso para este formato. Portanto, ficamos sem perceber o que se anda, realmente, a passar.

Talvez a falta de experiência da produção seja o motivo para este insucesso que tem sido confirmado pelas audiências cada vez mais baixas. Nesse caso, podem sempre recorrer à ajuda dos profissionais da Fremantle britânica, até porque terminou esta noite a 10ª edição do "The X Factor" e talvez estejam disponíveis para dar uma "mãozinha". Ah, não há dinheiro, já nos esquecíamos desse pormenor!

Para que todos os que leram esta análise (e que longa análise) possam comprovar as falhas de que falamos, deixamos um vídeo da versão inglesa do "Factor X". É apenas uma actuação, são apenas três minutos, mas que deixam perceber na perfeição tudo aquilo que a versão portuguesa não tem.




É caso para dizer: Simon Cowell, onde andas tu?
E como é que deixaste que fizessem isto ao teu programa?

1 comentário:

  1. Por isso é que nao perco tempo.
    o ss é muito superior.

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