segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os anos 80 invadiram o palco do "Factor X"

A duas semanas da grande final, o "Factor X" transportou-nos à década de 80. Os temas musicais que marcaram uma geração animaram a nona gala do programa que teve como convidada especial a fadista Mariza. Mas nem tudo foi um mar de rosas e, para os Aurora, a competição chegou ao fim.


Eram há muito desejadas e, finalmente, chegaram. Falamos das galas temáticas que tantas vezes foram reclamadas para este "Factor X" e que, com excepção da gala especial de Natal, pareciam não ter convencido os responsáveis pelo programa. Mas, desta vez, o concurso produzido para a SIC pela Fremantlemedia quis entrar na máquina do tempo e recuar até aos anos 80, trazendo ao palco canções que marcaram uma época e uma geração.

Ainda que tenha falhado alguns pormenores técnicos que, não nos cansamos de dizer, facilmente se poderiam resolver - como a excessiva luz nas bancadas e na mesa dos jurados durante e após as actuações, a turbulência de algumas câmaras e o uso reduzido de adereços - esta gala dedicada aos anos do rock conseguiu surpreender quer musical quer visualmente, o que, desde logo, reflecte a importância de galas temáticas, pois se prestam a isso mesmo: a um bom espectáculo.

Mas comecemos pelos pontos menos bons. Começa a tornar-se previsível mas, Bárbara Guimarães e João Manzarra entraram uma vez mais pela porta pequena no directo. Quer dizer, nem entraram, já lá estavam, no palco, prontos para uma gala que não começou de forma épica. Tornamo-nos repetitivos ao referir vezes sem conta este ponto mas, da mesma forma que nunca nos cansamos de apelar a uma certa voz-off que nunca chegou a aparecer, também a entrada dos apresentadores será aqui sempre referida. Assim como o tema de abertura, que também foi esquecido, e teria sido uma boa forma (senão a melhor) de recuar até à década de 80.

Numa primeira ronda de actuações, com temas escolhidos pelos próprios mentores, os Aurora e a Mariana foram quem mais se destacou. A concorrente dos jovens e o único grupo de Paulo Ventura ainda em competição brilharam no palco do "Factor X" e transportaram-nos, de facto, à década de 80 com as suas performances. Não tão bem sucedido, na nossa opinião, esteve D8 que, preso ao seu estilo, não conseguiu surpreender.

Os concorrentes regressaram ao palco uma segunda vez, desta feita com temas escolhidos pelos mentores adversários. E, nesta segunda ronda de actuações, os Aurora voltaram a destacar-se com a melhor actuação. A interpretação foi, sem dúvida, soberba, e se o objectivo de Sónia Tavares e do Paulo Junqueiro era prejudicar os jovens, não foi bem sucedido, porque estes arrasaram - embora, em Portugal, o trabalho feito com os grupos seja ainda incompreendido. Menos bem estiveram os dois concorrentes dos adultos: Berg e José Freitas.

E porque "the show must go on", o "Factor X" recebeu em palco um grande nome da música portuguesa. Depois de algumas semanas a desiludir na escolha dos convidados, a nona gala recebeu Mariza, aquela que é mais internacional dos artistas portugueses, e que presentou todos os espectadores com a estreia de um dos temas que compõem o seu novo álbum. Espectadora confessa do programa, Mariza brilhou com a sua actuação, e brindou o público com a sua simpatia, na entrevista que lhe feita pelos apresentadores. O único ponto negativo a apontar, uma vez mais, passa pela inexistência de uma VT de introdução ao convidado - e esta, mais do que qualquer outro, merecia.

Depois do espectáculo, chegou a parte menos desejada do programa. Os portugueses deixaram no bottom two os Aurora e D8 que, depois de mais um frente a frente, foram sujeitos à escolha dos mentores. A escolha coube a Sónia Tavares que, sendo a única mentora alheia aos concorrentes em risco de sair, escolheu o jovem rapper para continuar em competição. Uma das escolha mais injustas, neste "Factor X", dado que o grupo de Paulo Ventura teve, na nossa opinião, duas das melhores actuações da noite.


Este foi, talvez, um dos piores desfechos que uma boa gala podia ter. E a posição tomada pela mentora dos adultos, uma das mais incoerentes de sempre. Face ao percurso ao longo de todo o programa, e tendo também em conta a prestação nesta gala, os "embaixadores da música portuguesa", comi aliás foram rotulados mereciam sem dúvida um lugar na décima gala do concurso. A categoria Grupos fica, assim, sem representantes para a grande final de 9 de Fevereiro.

A concluir, reforçamos uma vez mais a ideia de que, galas bem preparadas e estruturadas, com ensaios feitos atempadamente e uma boa preparação, quer da equipa técnica quer dos concorrentes, resultam - e esse esforço foi perceptível. No entanto, convém referir que este recuou aos gloriosos anos 80, que deveria fazer a grande distinção entre quem merecia continuar na competição e sair, culminou num outro recuo: na próxima gala, o "Factor X" ficará marcada pela redução de talento, esse que deveria ser sempre, e independentemente de tudo, o principal factor de escolha.

6 comentários:

  1. Esta gala para mim foi ridícula.
    Duas actuações bem secantes do Berg (e eu costumo gostar dele), José Freitas a esquecer a letra na 2.ª actuação e a acabar por ter mais tempo de antena que todos os outros (metendo mesmo uma criança doente ao barulho), D8 sempre igual mas sempre elogiado. Só brilharam Mariana e Aurora.
    No final saiu asneira claro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Completamente de acordo. O Freitas há imensas galas que já se esquece de letras ou interpreta mal. E continua em competição porquê? Porque é o coitadinho, e os tugas votam sempre nos coitadinhos, como aliás ja deu para reparar. Ora está doente, ora tem saudades das filhas, enfim. E foi muito feio o que eles e outros hoje fizeram, de se aproveitar da criança doente em directo. Essas acções vêm-se com as câmaras desligadas, e fazem-se sem que seja preciso ninguém ver. Quiseram, claramente, ganhar votos com isso (tanto ele como o D8), mas resultou, infelizmente.
      E depois no fim, os que ainda deram algum brilho à gala, são expulsos. É por isso que os programas portugueses nunca serão como os de lá de fora. Mas felizmente os Aurora tão garantidos, e o Ventura vai pegar neles.

      Eliminar
    2. Concordo completamente consigo, Lara. Toda a gente vaia o Ventura quando ele critica o Berg, como se este estivesse acima de todas as críticas, mas a verdade é que tenho sempre concordado - ele é imensamente talentoso e muito bom cantor, ninguém lhe tira isso, mas nestas últimas galas não tem estado ao nível do que é esperado dele. O caso do José não percebo, de todo... Ele tem um vozeirão, sim senhor, mas não tem mais nada! Não passa nada para cá, limita-se a colar-se às versões originais das músicas, esquece-se das letras (quando é o único trabalho que ele tem, quando outros tem de cantar e tocar), e no entanto continua ali de pedra e cal. Mas alguém acredita que ele seja um artista com futuro? A fazer o quê, cantar para as velhotas nas galas da Sic? Só se for...

      A Sónia nunca foi à bola com os Aurora, estava-se mesmo a prever este desfecho. Não há por onde justificar esta decisão sem ser pela antipatia que ela lhes tem, ainda por cima na gala em que ofuscaram todos os outros concorrentes.

      Quanto à criança com cancro, confesso que as imagens me repugnaram... Foram de uma tão descarada manipulação que até senti vergonha por eles. Como disse o Anónimo, podiam ter feito tudo aquilo em privado, em vez de estarem a angariar votos. Mas a culpa é do povinho, que se deixa manipular com estas coisas e com histórias da avózinha...

      Eliminar
    3. A Sónia sempre fez escolhas estapafúrdias, desde pelo menos a eleição do Top8. A única vez que ainda concordei com ela foi salvar as Cupcake, que sempre traziam algo de diferente, em vez do Diogo, outro cantor de karaoke. A semana passada notou-se bem a antipatia pelos Aurora, provavelmente ressabiamento pela eliminação da Sara. Era lindo que os miúdos lançassem um álbum e vendessem mais que o próximo dos The Gift, desde claro que tenha qualidade para isso.

      Eliminar
  2. É pena que as pessoas não compreendam o talento e o potencial gigantes dos Aurora, mas, sobretudo, é pena que a Sónia tenha tomado esta decisão incompreensível. Os Aurora tiveram as prestações da noite e o D8, não lhe tirando mérito na capacidade de escrever letras semana após semana, não lhes chega aos calcanhares. Alguém nota alguma diferença nas prestações dele de gala para gala? Sejam galas temáticas ou não? Eu não. Ele é bom e tal, mas já chegava.

    ResponderEliminar
  3. Tenho pena que as pessoas votem como se estivessem a votar na Casa dos Segredos, ou seja, pelo mais coitadinho. Senti vergonha alheia ao ver Berg, José Freitas e D8 a aproveitarem-se duma criança doente e ainda mais do público que deve estar tão dormente mentalmente que nem pára para pensar que se aquilo fosse verdadeiramente sincero seria feito em privado, longe das câmaras. Parabéns à Mariana e aos Aurora, por ao longo do programa se terem valido apenas do seu trabalho, os únicos que também nunca andaram a espalhar as suas desgraças de vida nas revistas.
    Mariana a única que neste momento faz sentido como vencedora para mim. Só gostava de a ouvir cantar em português, esteve tão bem naquele breve momento do fado.
    D8 não gosto, acho sempre repetitivo e não suporto o som da voz dele, nem os chavões nas letras.
    José Freitas e Berg são bons como cantores... de karaoke, não elevam em nada as músicas que cantam, nem trazem nada de novo. E passam a vida a vitimizar-se, que é uma coisa que este país precisa de ultrapassar de uma vez por todas. É pena que as pessoas fiquem depressa cegas pelo fanatismo.

    ResponderEliminar