terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ESPECIAL - Em 3, 2, 1... está no ar o "Factor X"!

Passam poucos minutos das 8h30 da noite. O frio faz-se sentir em Paço de Arcos e a chuva ameaça cair a qualquer instante. Junto à porta lateral de um grande edifício, um amontado de pessoas começa a fazer-se notar. De várias idades e pontos do país, chegam aos estúdios da Valentim de Carvalho com cartazes, bandeiras e camisolas personalizadas. Em menor número, vagueiam por ali alguns coletes azuis com a letra X estampada, que parecem não ter mãos a medir. Fazer entrar centenas de pessoas de forma ordeira pode ser uma tarefa complexa para a equipa da produção. Nada que um berro e um rosto menos simpático não consigam resolver. Apesar do frio, a animação nos rostos daqueles que aqui esperam não desvanece. Afinal, não é todos os dias que se pode assistir ao vivo ao programa que "marca a diferença".


Dentro do edifício, no local onde tudo acontece, a atmosfera é bem mais mágica. Fumo no ar, música de fundo - já se sente aquele cheirinho a televisão. E, bem ao lado do cenário que, diariamente, Manuela Moura Guedes assume como seu, ali está ele: o grandioso (como lhe chamam) palco do "Factor X". Não tão grande quanto aparenta lá em casa, mas já é sabido que a realidade televisiva não passa de isso mesmo: de uma aparência (ou não fosse ela a caixinha mágica). Os lugares nas plateias parecem diminutos para a quantidade de pessoas que, aos poucos, vão entrando no estúdio. Mas ninguém é privado de assistir ao espectáculo, nem que para isso seja necessário sentar-se nas escadas. O conforto é menor, e as costas podem ressentir-se, mas a vista para o palco é boa, e isso é que interessa.



A 40 minutos para o directo, câmaras, gruas, tripés e todo o material técnico já ocupam as suas posições e ensaiam movimentos no seu campo de acção. No luminoso cenário, a letra que dá nome ao talent-show não passa despercebida: seja no gigante ecrã central (que serve também de entrada para o palco), seja nos ecrãs laterais ou, até mesmo no poderoso e cintilante X que, lá no alto do tecto, atesta a grandiosidade do formato (pelo menos, a grandiosidade a que ele se propõe). Luz e cor não faltam: tudo parece estar reunido nas doses certas e com as condições ideais para propiciar um bom espectáculo a todos os que aqui esperam mas, sobretudo, um bom entretenimento àqueles que, no frio de uma noite de domingo, aguardam por mais um bom serão televisivo no sofá das suas casas.

Correndo o risco de "ficar desempregado" se não fizerem tudo aquilo que ele pede, mas sempre com a simpatia que lhe é característica, entra em cena o brasileiro que pôs a palavra "obrigadu" no dicionário de língua portuguesa. Com energia para dar e vender, o famoso Betão começa a animar a plateia presente. Mas antes das explicações mais pormenorizadas, é altura para cantar os parabéns à aniversariante Joana que, em noite de festa, até pôde subir ao palco para cantar e recebeu um ramo de flores da família – um sonho que, decerto, terá concretizado. O brasileiro mais conhecido dos bastidores da televisão volta a apelar ao publico para que um voluntário se aventure e mostre que sabe cantar. O palco está "aberto" para quem o quiser pisar.

A cerca de 15 minutos para entrar no ar, a adrenalina começa a manifestar-se de forma bem mais interessante. Depois de explicar a forma e intensidade dos aplausos, e quando e como devem ser feitos, o brasileiro, incansável, anima as quatro claques presentes, apelando ainda assim para que todos aplaudam todos em todas as actuações - todos é a palavra de ordem. No entretanto, os copos que figuram na mesa dos comentários (cujo dinheiro publicitário a SIC agradece) começam a ser preparados, ora com gelo, ora com a bebida em questão - versão zero calorias, para a vocalista dos The Gift. Cá em cima, bem ao centro da bancada, numa espécie de contentor que é o seu plateau, Carolina Torres prepara o especial "Factor Extra", emitido em simultâneo durante a gala, e faz-se acompanhar por concorrentes já eliminados.

A pouquíssimos minutos do directo, há ainda tempo para ensaiar uma certa onda que, segundo o sábio Betão, João Manzarra e Bárbara Guimarães há muito querem ver concretizada naquele estúdio, mas que o público ainda não foi capaz de executar. "Vai ser hoje", diz ele, confiante (ou tentando, apenas, mostrar essa confiança). E por falar nos apresentadores, ali estão eles, ao fundo, prontos para entrar em cena e dar início ao espectáculo. Está quase. Últimos preparativos no palco. Público preparado e atento. Equipa técnica pronta para entrar em acção. E em 3,2,1: a VT é lançada. O "Factor X" está no ar!

Os focos de luz, a música, a emoção (e alguma histeria também) anunciam o espectáculo e preenchem-no. As palmas e gritos parecem não mais acabar. No palco, a solo ou em dueto, as actuações sucedem-se. Lá em casa, não se adivinham os protagonistas da acção que se passa atrás das câmaras. Basta um olhar, um gesto, ou um simples sorriso para que, na plateia, tenha lugar a mais apoteótica reacção. O movimento não pára, nem pode parar; numa emissão em directo e sem rede não há margem para erros. O programa prossegue a uma velocidade estonteante e inexplicável. Na verdade, para quem aqui assiste, o tempo parece ser outro, bem diferente do relógio que o espectador lá em casa tem na parede.



 

Os jurados (que agora são mentores) revelam-se bem mais cúmplices do que aquilo que aparentam na televisão. A tão falada competição entre eles parece nem existir. Ainda assim, essa descontracção não os faz viver de forma menos vibrante as performances dos concorrentes. Eles vivem-nas. E de que forma! Risos, lágrimas, palmas, e abraços, há espaço para tudo. Um "Factor X" que, mais do que o talento, vive da emoção, do sentimento e do espectáculo. Nos minutos escassos dos intervalos, em que o brilho e maquilhagem vão sendo retocados a toda a pressa, os protagonistas desta que é a penúltima gala do programa produzido pela Fremantlemedia não se livram de uma intensa corrida aos autógrafos, para os quais parecem não conseguir dar vazão. Uns fãs mais bem-sucedidos que outros, regressam à plateia de folha na mão, mostrando a todos a sua mais recente aquisição.


O relógio ultrapassa já a meia-noite. Sem que quase não nos apercebamos disso, está a chegar ao fim mais uma gala do "Factor X". Com a expulsão de mais um concorrente, depois de uma decisão dos jurados mais ou menos aceite por quem aqui assiste, estão escolhidos os três finalistas. Dentro de oito dias, Mariana, D8 e Berg vão disputar um prémio no valor de 100 mil euros, um carro e um disco com a Sony Music Portugal, naquela que será a derradeira emissão da grande aposta da SIC. Em 3,2,1... "Obrigadu", faz-se ouvir a voz brasileira. Chegou ao fim mais um "Factor X". No final, fica o balanço positivo de um programa que, espera-se, tenha aquecido a noite fria de domingo a muitos portugueses.

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