sábado, 5 de abril de 2014

LUPA ESMIÇUADORA - Um MasterTeste para a TVI


Chegou em 2011 ao nosso país e voltou este ano com uma nova edição. Agora na TVI, e com produção da Shine Iberia, a maior competição de cozinha do mundo regressou a 8 de Março e depressa conquistou os portugueses. Na semana em que "MasterChef Portugal" assinala um mês de exibição, a LUPA ESMIUÇADORA do OLHAR A TELEVISÃO lança a análise detalhada sobre esta aposta do quarto canal.

São essenciais e é a eles que estes programas devem grande parte do interesse. Falamos do painel de jurados a quem se pede que sejam críticos, avaliadores, carismáticos e, acima de tudo, reconhecidos (e conhecedores) na área. Reconhecimento na cozinha não falta a Rui Paula e Miguel Rocha Vieira e, ao longo das várias emissões, os chefs estão a conseguir encontrar o seu lugar enquanto jurados E Miguel Rocha Vieira, por muitos criticado pela sua postura crítica, é para nós o mais bem-sucedido dos três.

Ainda que seja um dos jurados mais activos e com maior à vontade no ecrã, Manuel Luís Goucha é talvez o elemento mais questionável deste painel. Mas compreendemos a decisão da TVI que, com escassos recursos na apresentação, viu no apresentador que desde cedo esteve ligado ao mundo da culinária, a pessoa indicada para o terceiro jurado. Manuel Luís Goucha está a conseguir adaptar-se ao que lhe é pedido, embora deva esquecer um pouco mais o registo de day-time e assumir uma postura mais crítica de jurado.

O carisma que sobra dos jurados falta nos concorrentes. Questionamos até que ponto os finalistas escolhidos foram os mais acertados. Não se pede, apenas, que os escolhidos tenham jeito para a cozinha, mas pede-se, sobretudo, carisma, personalidades intrincadas, concorrentes fortes. E esses não os há em "MasterChef Portugal" - pelo menos, em abundância observável.


A produção da Shine Iberia para a TVI prima, desde logo, pelos desafios no exterior, desde o mega casting no Terreiro do Paço às provas que, semana após semana, desafiam as equipas nos mais variados locais do país; o formato só tem a ganhar ao sair do estúdio. Mas também não perde ao ficar nele - é que a cozinha do "MasterChef Portugal", e todos os outros espaços que lhe estão adjacentes (como a loja, o restaurante, a sala de espera ou sala de prova.) estão muitíssimo bem conseguidos. Um belíssimo trabalho de cenografia da Shine.

Foi também uma boa aposta a exclusão de um apresentador (como tinha a versão que, em 2011, a RTP apresentou). O formato ganha dinâmica com a apresentação distribuída pelos jurados. Mas, em contrapartida, a produção abusou na voz-off, que é demasiado explicativa e chega mesmo a ser exaustiva. O espaço narrativo podia muito bem ser preenchido com excertos das entrevistas dos concorrentes.

Mas um dos pontos mais negativos deste "MasterChef Portugal" - e que chega a ser incompreensível em pleno 2014 - é o formato em que é transmitido. Infelizmente, a TVI optou por transmitir em 4:3, cortando parte da imagem. Um erro, gravíssimo por sinal, até porque se nota que todo o programa está filmado em 16:9 - prova disso são as "Masterclasses", disponíveis no site do programa, e que estão em ecrã panorâmico. Além da perda óbvia de imagem, o programa perde espectacularidade e, já que o sistema de televisão português é ainda 4:3, podiam ao menos ter colocado as chamadas "barras pretas", tal como a RTP fez com o mesmo formato em 2011. Neste ponto, houve uma clara regressão em relação à primeira edição.

Ainda assim, "MasterChef Portugal" é no seu todo um produto bem conseguido. Trata-se de um excelente formato de televisão que se traduz num produto de entretenimento com muitíssimo potencial. A produção da Shine Iberia tudo tem feito para não defraudar as expectativas dos milhares de espectadores que, atentos às versões internacionais, aguardavam por versão portuguesa fiel ao formato. Fiel a 100%, infelizmente, ainda não foi desta. Falta ritmo, suspense, uma edição mais dinâmica - mas está lá perto. E quanto à TVI? Bem, depois deste MasterTeste a que foi sujeita (de romper com a tradicional programação de sábado), pode dizer-se que passou - e com distinção!

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