segunda-feira, 7 de abril de 2014

"The Voice Portugal" em análise #2

Depois de uma estreia que arrebatou, o talent-show da estação pública regressou para mais uma noite de Provas Cegas onde vários candidatos tentaram a sua sorte. Foram muitas as vozes, mas numa noite em que não faltou emoção só algumas conseguiram fazer virar as cadeiras dos mentores.


O "The Voice Portugal" mostrou que está para ficar na luta das noites de domingos. Aliado à grande qualidade do formato, os números também são positivos - e os da primeira emissão não podiam ter sido melhores, numa das estreias mais bem-sucedidas da RTP nos últimos anos. Contra factos não há, de facto, argumentos. O programa apresentado por Catarina Furtado e Vasco Palmeirim é já uma aposta ganha.

À semelhança do episódio de estreia, o programa foi brilhantemente introduzido, numa sequência de imagens que primou pela montagem bem ritmada e emotiva. Na verdade, a edição começa a ser um factor de distinção da Shine Iberia Portugal, não só neste como noutros programas que tem vindo a produzir. Um espectáculo (o da música) dentro de outro espectáculo (o da televisão) - assim se poderia definir este "The Voice Portugal". Prova disso é que o tempo que passa sem que demos conta dele passar. Destaque, também, para as excelentes transições entre as Provas Cegas dos candidatos, com as entrevistas aos concorrentes, familiares e mentores.

Os mentores, esses, começam a tomar como realmente suas as cadeiras onde estão sentados, e entram cada vez mais no espírito do programa - quer o competitivo, quer o televisivo. Avaliadores, divertidos e com predisposição para algumas "brigas" - que se querem, e têm sido, sempre saudáveis. Referir, contudo, que em determinadas situações Mickael Carreira e Anselmo Ralph ao tanto quererem fazer podem, e parafraseando Rui Reininho, ter deixado os concorrentes “na sombra”, e não é isso que se quer. O protagonismo cabe a outros; cabe aos concorrentes, às suas vozes e às suas histórias, e é importante que os mentores sejam comedidos e meçam as situações já de início para que não se cometam excessos. Um último apontamento para o cantor angolano: "prontos" (no contexto em que é usado) não existe no dicionário. Basta um "pronto" - é mais fácil, mais correcto, e até é mais curto!

Numa análise dominada por elogios há também espaço para a crítica negativa, desta vez dirigida aos candidatos. Os programas de entretenimento já não são um terreno desconhecido para o público. As milhares de pessoas que, todos os anos, concorrem aos mais diversos concursos televisivos (talents, realitys, etc.) sabem já (feliz, ou infelizmente) para o que vão. Sabem como agir, o que fazer, como vestir e, acima de tudo, o que dizer. Sabem que uma boa história pode sobrepor-se a um talento real e sabem também que uma imagem friendly pode fazer esquecer uma voz menos boa. E, com isto, perde-se o carácter genuíno dos concorrentes, perde-se alguma inocência e, consequentemente, alguma beleza. E será que se ganha algo? Bem, até se pode ganhar. Mas ganha-se, sobretudo, em momentos de pura arrogância e exibicionismo de que são exemplo os que apresentamos de seguida.

O primeiro caso diz respeito a Diniz Coutinho, concorrente que escolheu a equipa de Mickael Carreira, e que teve uma das saídas mais infelizes da noite, ao auto-elogiar-se como magro e giro. “Eu ia achar que vocês tinham na cabeça que eu era um rapaz gordo feio”, foram as palavras do concorrente, numa clara demonstração de arrogância e, até, discriminação, num programa onde, supostamente, a imagem não deveria contar. O segundo caso refere-se a Carlos Costa, já conhecedor destas andanças, não teve a melhor postura. É certo que já não é um desconhecido, e também é certo que o seu à vontade pode ser justificado por ter "nascido" num outro concurso do género. Tanto não seria necessário, achamos nós. Mas também Sofia Fortuna não demonstrou a melhor atitude: "Sou uma mais-valia para o programa e eles é que perdem" não foi o melhor que a jovem podia ter dito, e tivesse ela passado por esta situação (caso não fosse escolhida) e temos certeza que não agiria com tamanha presunção.

Quanto às equipas, Marisa Liz continua na frente, contando já com sete elementos: Anouska Romão, Inês Lucas, Miguel Monteiro, Nádia Marques, Constança Moreira, Gabriela Marramaque e Mariana Morais. Mickael Carreira, o mais bem sucedido da noite, soma seis candidatos: Renata Gonçalves, Diniz Coutinho, Carlos Costa, Bernardo Nunes, André Carneiro e Nuno Ribeiro. Segue-se Anselmo Ralph com Constança Gonçalves, Pedro Garcia, João Parreira, Sofia Fortuna e Leonor Andrade. E por fim, a equipa de Rui Reininho, com quatro concorrentes apenas: Alexandre Casimiro, Gabriela Pina, Benedita Gonçalves e Fábio de Sousa.

Feitas que estão as contas, e redigida que está a crítica, despedimo-nos por hoje, prometendo regressar na próxima semana com mais uma análise ao "The Voice Portugal! Respondendo à pergunta que serve de slogan ao programa: sim, estamos preparados. Venha o próximo!

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