segunda-feira, 19 de maio de 2014

"Rising Star" em análise #3

Em noite de "Globos de Ouro" na SIC, e com um "The Voice Portugal" cada vez mais forte na RTP, a TVI quis pôr mãos obra e introduzir algumas mudanças no "Rising Star - A Próxima Estrela", naquele que foi o último programa da primeira fase do concurso.


Foi em declarações à revista Notícias TV que Bruno Santos, Director de Programas da TVI, prometeu surpresas e novidades ao longo das emissões do "Rising Star", e elas não tardaram a chegar. A estação de Queluz e a Endemol Portugal foram à luta e, numa noite com concorrência especialmente forte, apresentaram as primeiras novidades.

Nesta terceira emissão, última de castings, fazer subir o palco com mais de 70% dos votos não foi suficiente para garantir permanência dos participantes na competição e apenas os cinco concorrentes com mais votos conseguiram um lugar na fase dos duelos, que se inicia já no próximo domingo.

Assim, depois de ouvidos os 13 concorrentes, apenas Rúben Xavier (91%), Bruno Correira (88%), Fernando Brites (87%), Carina Cunha (86%) e Joaquim Cunha (85%) se juntaram aos restantes 15 concorrentes que já tinham sido apurados para os duelos. A pontuação de Solange Muxanga (80%), Maria Medeiros (75%) e Flávio Santos (79%), apesar de ter feito subir o ecrã, não foi suficiente para a permanência no programa.

À primeira vista, não será negativo que TVI faça alterações no "Rising Star". Ao contrário de Israel, onde a concorrência quase não existe (já que os canais estreiam os programas em dias distintos), em Portugal o simples acto de subir um ecrã gigante não se mostrou suficiente para cativar o público. Se no inicio até teve a sua piada, o certo é que ao fim de algum tempo a magia desvaneceu. Quando os programas passam a ser mais do mesmo, os canais devem saber introduzir as alterações certas, sem desvirtuarem claro está o conceito e as regras matrizes dos formatos.

Num programa em que o público é também o júri, a opinião dos espectadores deveria ser mais importante do que qualquer decisão do canal. Não foi, de todo, o que aconteceu com as alterações feitas pela TVI. É injusto que as regras tenham mudado só apenas para alguns concorrentes e que atingir os 70% dos votos não tenham chegado para continuar na competição. A verdade é que se a Solange, a Maria ou o Flávio tivessem participado no primeiro ou no segundo programa tinham garantido a sua presença nos duelos. Esperamos, sinceramente, que as próximas surpresas e novidades prometidas pela estação de Queluz sejam mais pensadas e tenham em conta a essência do formato.

Outro ponto menos bom deste "Rising Star - A Próxima Estrela" passa pela existência de demasiadas caras ligadas a outros canais e concursos do género, e poucos rostos novos. Talento desconhecido, a tentar a sua primeira oportunidade no mundo da música, é quase inexistente neste programa. Os castings e audições prévias feitas pela produção deixam muito a desejar; deveria ter sido mais cuidadoso, mais focado no talento e menos interessado na procura de histórias de vida - afinal, o programa propõe-se encontrar “a próxima estrela” de Portugal (e não estrelas repetentes).

É também lamentável que, ao fim de três programas, se esgote a primeira fase do concurso. Achamos que tal nunca se terá visto em nenhum outro concurso do género. A sensação imediata que passa para este lado é que querem acabar este "Rising Star" o quanto antes, mas esperemos que não passe disso, de uma sensação.

E porque as críticas não se fazem "porque sim", até porque tentamos ser o mais transparentes possíveis nas nossas análises (independentemente do canal em questão), há também pontos positivos a ressalvar. Desde logo, a interactividade que é no fundo a grande atracção deste formato (maior ainda que o talento dos concorrentes). Realçamos, também, o excelente cenário, a cuidada realização e a prestação da dupla de apresentadores, composta por Leonor Poeiras e Pedro Teixeira. São, sem dúvida, os pontos mais fortes desta aposta da TVI.

Na próxima semana, os duelos vão começar e são esperadas actuações com garra, vozes que surpreendam e talento que nos faça esquecer o ecrã a subir (nem que seja por momentos). Quanto às surpresas que a TVI e a Endemol possam apresentar cá estaremos para as analisar - sejam elas boas ou más.

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