sexta-feira, 6 de junho de 2014

IN & OUT | Maio 2014


Num mês que fica marcado por alguns regressos e grandes mudanças, estes são os escolhidos do OLHAR A TELEVISÃO. O melhor e o pior de Maio, em mais uma edição da rubrica IN & OUT.


"The Voice Portugal" é, definitivamente, o melhor programa da RTP, não só de Maio mas dos últimos tempos. Uma excelente produção que prende o espectador ao ecrã. Talento, esse, não falta. Com uma boa prestação dos apresentações e um trabalho primoroso da Shine Iberia, o "The Voice Portugal" em muito faz ver as privadas no que toca à qualidade de concursos deste género. Em Maio, destaque também positivo para a primeira emissão mundial em UHD levada a cabo pela RTP no jogo de Portugal frente à Grécia. Numa altura em que as privadas insistem em perpetuar o 4:3, o canal público (que já passou esta fase) dá mais um passo tecnológico e protagoniza uma operação pioneira a nível mundial. É bom saber que, pelo menos a RTP, procura estar na vanguarda da tecnologia.

Não seria de estranhar que, uma vez mais, as noites de sábado da SIC ocupassem a posição OUT desta rubrica. Mas trata-se exactamente do contrário. Depois de vários enlatados e apanhados (que aqui criticamos incessantemente), o terceiro canal quis dar um rumo diferente a este horário - até que enfim, apetece dizer! E para isso chamou dois nomes grandes da casa: Júlia Pinheiro e João Baião, recém chegado da RTP, para conduzir "Sabadabadão", a versão portuguesa do sucesso britânico "Saturday Night Takeaway". "Sabadabadão" tem produção da Fremantlemedia Portugal e assume-se como um programa de variedades "onde tudo pode acontecer… e geralmente acontece". Vozes dirão que este é um mau exemplo de televisão e pode até a crítica apelidar esta aposta de lixo televisivo. Pode ainda não ter liderado, mas o potencial está lá. E agora sem "MasterChef Portugal" na concorrência, as coisas vão mudar de figura.

Nos últimos meses a aposta da TVI para o horário de fim de noite recaiu em séries. Mas entre repetições e estreias, o canal de Queluz conseguiu destruir uma faixa onde até arrecadava bons resultados. O principal problema passou por não ter sabido gerir as suas apostas e, em segundo lugar, pecou pela pouca promoção aos programas, que levou o público a perder a vontade de acompanhar o canal neste horário. Foi o que aconteceu com a série espanhola "El Tiempo Entre Costuras". Uma excelente produção da Antena 3 que passou completamente despercebida aos olhos dos espectadores, o que é de lamentar. Apesar dos resultados negativos, "O Tempo Entre Costuras" figura na posição IN do mês de Maio. Só é pena que tenham dobrado a série ao invés de manter a linguagem original. Ainda assim, esta é uma produção que aconselhamos vivamente!


Pela segunda vez, "Portugal no Coração" é a escolha OUT da RTP. Após ter estado nas 'luzes da ribalta' devido à saída atribulada de Malato, o talk-show vespertino da estação pública recebeu Jorge Gabriel que ao longo de alguns meses foi tendo semanalmente uma companheira diferente e, essa estratégia que parecia estar a resultar dava dinâmica ao programa, com números audiométricos positivos (ainda que pouco expressivos), mas com o regresso de Marta Leite Castro o formato voltou a cair. Nesta altura, a melhor solução é, sem dúvida, terminar com o programa. A RTP necessita de algo fresco para este horário, algo que faça despertar o interesse dos espectadores. Não percebemos como é que o canal público se dá ao luxo de dispensar figuras como a de Sílvia Alberto, uma das melhores da sua geração, para apostar na exclusividade de apresentadoras como Marta Leite Castro que, como já se viu, não conquista espectadores.

Quanto a Carnaxide, Maio marcou a emissão de mais uma Gala dos "Globos de Ouro", a partir do Coliseu dos Recreios - uma gala que muito prometia mas pouco cumpriu. Por várias razões já explicadas na nossa análise a esta gala, o evento da SIC e da Caras, que tinha tudo para ser o melhor programa deste mês, acabou por se tornar numa das maiores desilusões. Esperemos que em Maio de 2015 esta realidade se inverta e possamos falar da comemoração dos 20 anos dos Globos na tabela apresentada acima.

A chegada de Ricardo Araújo Pereira à TVI foi anunciada com pompa e circunstância e teve até direito a destaque no principal bloco noticioso do canal. Mas a espectacularidade não passou disso: do anúncio, das promoções e da estreia em si. Quase como se de um bolo apetitoso se tratasse, mas quando se trinca a primeira fatia a nada sabe. Foi mais ou menos isto que aconteceu com "Melhor do que Falecer". Eram prometidos 5 minutos de humor ao estilo da ‘Mixórdias Temáticas’ da Rádio Comercial; mas em televisão, não resultou - ou pelo menos, não fizeram com que resultasse. É certo que muitos críticos aplaudem o formato e o classificam como um dos melhores programas da televisão portuguesa. E não deixa de ser louvável o esforço da TVI em diversificar o prime-time. Simplesmente, não convenceu, nem convence. Ricardo Araújo Pereira e o seu "humor inteligente" já fizeram melhor, bem melhor. Em todo o caso, é sempre melhor este programa do que falecer!

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