segunda-feira, 11 de agosto de 2014

IN & OUT | Julho 2014

  
Agora que o mês de Agosto já corre vale a pena olhar para trás e avaliar o percurso da televisão portuguesa durante o mês de Julho. Quem se destacou, quem não tem espaço nos ecrãs nacionais e que pontos há a melhorar; tudo tem lugar em mais uma edição da rubrica "In & Out". 



Ao fim de 17 semanas o "The Voice Portugal" despediu-se dos portugueses - uma despedida que aqui não podia passar em branco. Só uma equipa bem oleada pôde fazer chegar aos ecrãs um fantástico programa de televisão ao nível do que de melhor se faz lá fora. Todos os envolvidos estão de parabéns pela concretização deste projecto. É certo que houve falhas que podem e devem ser corrigidas numa próxima edição, mas também é certo o sentimento de vazio para quem, desde 30 de Março, escolheu o "The Voice Portugal" como companhia das noites de domingo. Um programa que prendeu e envolveu os espectador, e que nos faz desejar que regresse rapidamente aos ecrãs. Uma das melhores apostas da RTP nos últimos anos que, como já tivemos oportunidade de referir, é um exemplo maior do caminho que a estação pública deve construir.

Num mês menos rico em conteúdo noticioso e com menor adesão do público à informação televisiva, a SIC apostou em conteúdos mais leves para o seu principal bloco noticioso - sem que, para isso, tenha posto em causa a qualidade e rigor do jornalismo que pratica. Ao "Jornal da Noite" regressou uma das mais bem-sucedidas rubricas da casa: o "IR é o melhor remédio" de Martim Cabral e Teresa Conceição. Mas não foi só. À redacção de Carnaxide chegou também a carrinha pão de forma que todos os dias, na rubrica "Olha a SIC", percorre os recantos do nosso belo país. Estes dois espaços são exemplos de que a informação não tem que ser séria e sisuda e que, com a criatividade e imaginação certas, pode reinventar-se. Informar também é isso, pena é que não o seja mais vezes. Os responsáveis pela informação da SIC fizeram uma boa escolha.
Depois de ter sido ultrapassada pela SIC na ficção nacional, a TVI voltou a "meter as mãos na massa" na tentativa de reconquistar a preferência dos portugueses. Exemplo disso é a novela "O Beijo do Escorpião", de António Barreira e João Matos. Se esta novela já contava com uma grande história, mais cuidada na escrita e na realização, e com excelentes interpretações, desde que passou a ter a supervisão de José Eduardo Moniz as melhorias foram ainda mais notáveis. A história sofreu várias mudanças, entre elas a perda de protagonismo do núcleo principal e a criação de enredos laterais, que a tornaram mais cativante - e os números só o comprovam. Nada está garantido, mas é certo que se "O Beijo do Escorpião" continuar como até agora os espectadores vão continuar a dar luz verde. Só esperamos é que, como já é hábito em Portugal, não estiquem a galinha dos ovos de ouro até à exaustão.


Propriedade do canal americano The CW, a série "Arrow" é transmitida pela RTP1 aos domingos à tarde... quer dizer, é transmitida de vez em quando, quando dá jeito. Trata-se de um produção americana bem delineada e pensada, com uma história boa para o horário e com potencial para agarrar público, mas parece que a estação pública não está a aproveitar da melhor forma. Numa semana "Arrow" dá, e até em dose dupla, na seguinte é retirada da grelha, sem qualquer aviso prévio. E isso, "mata" qualquer programa que seja, pois os espectadores fartam-se e deixam de acompanhar. A RTP ainda tem que trabalhar neste tipo de comunicação, sendo que já não é a primeira vez que isto acontece na grelha do canal público. Podem dizer, nos EUA as séries também deixam de dar durante 2 ou 3 semanas, ou às vezes até mais tempo, sim é verdade, mas os canais comunicam aos espectadores essas paragens, informando quando regressa a série. Este meio de ligação e respeito para com os espectadores é muito importante para que a estação se aproxime do público.

A escolha das "Sextas Mágicas" para figurar como programa OUT em nada se deve às audiências do formato nem tampouco ao programa em si. É boa a ideia da SIC em ter um programa temático semanal que oferece grandes prémios aos portugueses - mas a permanência sucessiva no mesmo espaço, com o mesmo tipo de músicas e rubricas acaba por anular todo o potencial do programa. Seja com João Paulo Rodrigues e Rita Ferro Rodrigues ao leme, seja com os profissionais que os vieram substituir em tempo de férias, as "Sextas Mágicas" necessitam de se distanciar do "Queridas Manhãs" - e o Verão era altura indicada para o fazer. Sabemos que apesar das melhorias o tempo é de contenção. Mas porque não sair à rua? Porque não tornar este programa num verdadeiro programa de Verão? Não se pede grandes viagens pelo país, o plateau até poderia ser o mesmo todas as semanas - uma praça em Lisboa ou até no exterior dos estúdios em Carnaxide, porque não? Deixem a criatividade de João Paulo Rodrigues e do Pedro Alves fluir, dêem mais tempo para a dupla brincar entre si, levem Rita Ferro Rodrigues até à rua, a fazer surpresas às pessoas consoante o tema do programa e talvez assim o formato comece a cativar os portugueses.

Já na TVI, a escolha negativa vai para a novela de final de tarde "Feitiço de Amor". É recorrente na estação a aposta em reposições para o início e final de tarde, e até para as madrugadas. Mas para nós esta estratégia não faz sentido, especialmente no horário de acesso ao prime-time. Estamos a falar do horário que pode decidir tudo. Esta escolha pode até representar bons números e ser 100% rentável, já que não tem qualquer custo de produção, mas um horário tanto importante como o das 19h o mínimo esforço seria exigido. Com "Feitiço de Amor", a TVI tem na sua grelha três novelas em reposição ("Flor de Mar" às 14h00, e "Olhos nos Olhos" de madrugada). À luz destes dados, fará ainda a TVI Ficção algum sentido?

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