quarta-feira, 15 de outubro de 2014

IN & OUT | Setembro 2014

O mês que marca o arranque da rentrée televisiva está agora em revista no OLHAR A TELEVISÃO. Os programas que se destacaram positiva e negativamente no pequeno ecrã, a análise e opinião e o que há a melhorar, em mais uma edição da rubrica IN & OUT.


Foi no mês de Setembro que a RTP renovou o seu day-time, tendo estreado o "Agora Nós" e o "Há Tarde". As manhãs e as tardes da estação pública ganharam novo fôlego; os novos programas romperam com os antecessores, trazendo a dinâmica e modernidade que faltavam à grelha da estação pública, nunca esquecendo que o seu principal objectivo, sem esquecer o seu público actual, é a conquista de mais jovens. Há coisas a afinar, é certo, mas isso vai acontecer no dia-a-dia, e acreditamos que a qualidade do "Agora Nós" e do "Há Tarde", pelo que já se viu, só tem por onde melhorar.

"Mar Salgado" foi a grande aposta da SIC para o horário nobre. E, desde logo, nota-se que a estação não está a dormir e quer continuar na luta pela ficção. A estreia foi arrebatadora e, desde então, a produção da SP Televisão tem conquistado os portugueses, e percebe-se porquê. Além do tema central e forte da história, "Mar Salgado" dispõe de um elenco de luxo e conta com uma realização e edição do melhor que já se viu em Portugal. Todos estes factores tornaram esta novela um sucesso e assim se espera que continue. Há, no entanto, um factor que pode prejudicar a trama: o número elevado de episódios. Fica o aviso para os responsáveis da SIC: há que ter cuidado com o reverso da medalha, não vão os espectadores ficar cansados e a estação sair a perder!
Há dez anos, em 2004, a TVI renovou a sua grelha por completo, tendo estreado, entre outros, o "Você na TV!". No mês de Setembro, assinalou 10 anos de emissões, sendo por isso o talk-show que, actualmente, está no ar há mais tempo. Dez anos passaram e o programa das manhãs de Queluz de Baixo tem-se sabido renovar e continua a cativar os espectadores. A equipa nunca se deixou "dormir à sombra da bananeira", respondendo sempre às "investidas" da concorrência para roubar a liderança. Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha, dupla imbatível e muito acarinha pelo público, e toda a sua equipa estão de parabéns!


O day-time de fim de semana da televisão generalista está cada vez pior e, exemplo disso, são o sem número de repetições a que nem a RTP consegue fugir. Percebemos que não haja dinheiro para apostar devidamente em todos os horários, especialmente num momento em que a estação está em processo de reorganização e sabemos também que o day-time de fim-de-semana facilmente é o primeiro horário a sofrer cortes. No entanto, a certeza que haveria uma alternativa às cansativas repetições, como a que acontece com a série de humor "Hotel 5 Estrelas". Os espectadores cansam-se de ver sempre o mesmo, fugindo para o cabo e a culpa é da falta de ideias que persiste e da aparente pouca vontade de encontrar alternativas para contornar a falta de verbas.

A SIC continua a apostar incessantemente no "Portugal em Festa". Vozes há que afirmam que o principal objectivo do programa passa por aproximar os espectadores ao canal. Ainda assim, é mas que evidente que a manutenção do formato na grelha se relaciona apenas com os ganhos provenientes das chamas de valor acrescentado. Nenhum canal iria manter um programa que faz menos de metade da audiência que os programas antecessores - neste caso, o cinema . caso não fosse rentável e lucrativo. É claro que este tipo de programas ajuda na aproximação do público ao canal, mas sinceramente já cansa ver 6 horas de música pimba. Apesar disso, e quando comparado com a concorrência do "Somos Portugal", o "Portugal em Festa" tem mais conteúdos e a produção esforça-se para subir os números. Mas a verdade é que a grande fatia de público que vê a SIC não quer esse tipo de programas ao domingo. Mas, felizmente para uma coisas e infelizmente para outras, a televisão é um negócio, e nenhum negócio sobrevive sem rentabilidade - e, nos dias de hoje, os lucros são cada vez mais importantes.

"Está a chegar a mais bela das novelas." Foi desta forma que a TVI apresentou "Jardins Proibidos" aos espectadores nas suas promoções. Mas esta que é a grande aposta da estação de Queluz para a rentrée ficou muito aquém das expectativas - e os resultados, de resto, só o comprovam.  Depois de uma primeira semana com resultados muitíssimo animadores, onde os episódios deviam ter sido excelentes para prenderem os espectadores, o que se pôde ver desde então foram episódios sem ritmo e monótonos. A juntar a isto, "Jardins Proibidos" tem apresentado sucessivamente vários erros de continuidade e de produção, que são imperdoáveis num produto que se quer líder. E também a história está escrita de uma forma que não prende os espectadores. Fazer regressar "Jardins Proibidos" não é e nem foi suficiente, e isso está à vista. Não basta um nome, é necessária qualidade constante, especialmente numa altura em que o consumo está muito mais dividido e que os telespectadores são cada vez mais exigentes. 

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