segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Factor X" | a análise #2.10 (Gala 2)

O programa que marca a diferença regressou ao pequeno ecrã com mais uma gala repleta de talento e espectáculo. Numa noite que teve como convidados especiais os HMB, Matheus Paraízo despediu-se da competição. 

Depois de uma primeira temporada que, exceptuando a gala final, nunca contou com números de abertura, nesta segunda gala do "Factor X" pudemos assistir a uma actuação conjunta dos doze finalistas com os HMB, convidados musicais da noite, com o tema "Feeling". E percebe-se facilmente o porquê de tantas vezes termos insistido neste ponto. Este foi dos melhores inícios que o "Factor X" já teve nas duas temporadas.

Cláudia Vieira e João Manzarra, que já na primeira gala tinham cumprido quase na perfeição o seu papel,  tiveram esta semana um desempenho ainda mais convincente: cumplicidade, boa-disposição e pertinência nas questões colocadas a concorrentes e aos mentores. E também eles, os mentores, proporcionaram bons momentos de televisão, numa altura em que os sorrisos e brincadeiras começam a ser postos de lado para que os atritos e discórdias comecem surgir: afinal, a competição é também entre eles.
Se já a primeira gala tinha representado um avanço de qualidade face à temporada anterior, esta segunda gala impôs ainda mais essa qualidade, principalmente na realização e filmagem, pontos mais negativos do primeiro directo. A produção das actuações manteve o nível da gala anterior e nada faltou no palco do "Factor X": fogo, bailarinos, adereços, fumo, luzes. Finalmente, um palco que começa a ser devidamente aproveitado e a proporcionar um bom espectáculo.

O cenário instalado nos estúdios da Valentim de Carvalho recebeu doze interpretações, numa gala em que as dedicatórias dos concorrentes ditaram as escolhas musicais. A nosso ver não houve, no geral, escolhas musicais muito positivas, mas destacamos como melhores momentos da noite os seguintes:
  • Kika (Adultos), com "I Will Always Love You", de Doly Parton
  • Ruben (Adultos), com "Treasure", de Bruno Mars
  • Pop4Roc (Grupos), com "Paradise by The Dashboard Light", de Meat Loaf
As actuações menos conseguidas da noite foram, na nossa opinião:
  • Jorge (Adultos), com "She", de Charles Aznavour
  • Isabela (Raparigas),com "Fix You", de Coldplay
Terminadas as actuações, e depois do período do "Flashvote", foi altura de ser conhecida a decisão do publico. Deixamos uma apreciação muito positiva para esta parte, que teve a emoção e suspense necessários, muito graças aos apresentadores e à realização que souberam conduzir o momento como ele exigia. O bottom two pertenceu a Matheus e Junior, ambos da categoria Rapazes, de Sónia Tavares.

Para garantirem a permanência no programa e serem salvos pelos mentores, os concorrentes voltaram a pisar o palco do "Factor X". Uma vez mais, e tendo como ponto de comparação este mesmo momento na temporada anterior, assistiu-se nesta segunda gala a uma melhoria exponencial: desde os focos de luz, passando pelo X a negro que pintou os painéis e acabando no ecrã principal semi-aberto com focos a surgirem no meio: tudo resultou incrivelmente em televisão. Além disso, o backing track não foi cortado à pressão, como era recorrente, e a interpretação, ainda que curta, teve princípio, meio e fim.

A decisão passou então para as mãos dos mentores. Convém aqui realçar que também esta fase saiu a ganhar com a inclusão de um quarto jurado, porque passa a ser possível um empate e o público é quem tem a  palavra final. Mas não foi o caso. Paulo Junqueiro salvou Júnior e o voto de Miguel Guedes foi para Matheus. Depois de Paulo Ventura ter também optado por manter em competição Junior, Sónia Tavares, depois de deixar umas palavras menos agradáveis aos portugueses, deu também o seu voto a Júnior. O Matheus Paraízo disse assim adeus ao "Factor X".


São claras as melhorias desta produção Fremantlemedia Portugal para a SIC. Infelizmente para nós, para o público e acima de tudo para a repercussão do programa junto das audiências, esta qualidade não foi de todo visível na primeira temporada, nomeadamente na fase das galas em directo. Se é certo que o know how vem com a experiência (e que estas melhorias se devem aos erros cometidos no passado), também é certo que, há um ano, havia muito por onde esta equipa se podia inspirar, dadas as inúmeras versões internacionais já produzidas - e bem produzidas.

A qualidade chegou, infelizmente, tarde, e numa altura em que a concorrência está melhor e mais forte do que nunca. E o preço a pagar por este "atraso" foi elevadíssimo, basta atentar no percurso audiométrico em queda desta segunda temporada. Poderemos duvidar dos incrédulos valores que, semana após semana, o "Factor X" regista. Mas bons ou maus são eles que ditam o mercado e não deixam margens para dúvidas: os portugueses já não se identificam com este talent-show.

Nem só de audiências se faz um programa de televisão, dizem alguns de boca cheia, mas não sejamos hipócritas: são os números que "marcam a diferença" do meio televisivo. E por muito bom que o produto seja - e, de resto, esta segunda temporada do "Factor X" tem primado pela qualidade - os baixos valores acabam por desmotivar quem por ele se esforça.

Esperamos, todavia, que os reduzidos rating e share registados tenham um efeito contrário e que, semana a pós semana, esta equipa se continue a esforçar para proporcionar espectáculos cada vez mais grandiosos, quanto mais não seja por respeito aos poucos telespectadores que, mesmo perante as sucessivas falhas e erros cometidos, nunca abandonaram o formato e sempre nele acreditaram.

2 comentários:

  1. As escolhas da Sónia continuam a ser hilariantes! O Matheus foi ali calhar por acaso, porque até era o favorito do público na sua categoria (as pessoas esquecem-se de votar, é normal), mas o Junior já lá esteve a semana passada e vai voltar a estar na próxima, e mesmo assim escolhem tirar o Matheus, o único concorrente que trazia algo diferente da música pop ultra-mastigada que os outros cantam. A Sónia este ano vai conseguir a proeza de ficar sem concorrentes antes do Ventura.
    Quanto à gala, concordo que houve uma melhoria em relação à anterior. Continuam a aparecer os planos amadores de vez em quando mas no geral correu melhor, e a disposição das actuações voltou ao normal e ainda bem.
    Não concordo que a Isabela tenha tido das piores actuações (que, para mim, foram o Junior, o Jorge e o João). Vocalmente não esteve à altura das exibições anteriores, mas convenhamos que é difícil cantar enquanto se toca bateria. Aplaudo o Miguel pelo que tem trazido ao programa, está a revelar-se muito melhor mentor que os outros três.

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    1. O Ventura ainda tem a desculpa de ter a categoria mais tramada. Já a Sónia... meu Deus... que vergonha de mentora... com a categoria que mais vezes ganhou este programa a nível internacional e só faz asneira.

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