segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Factor X" | a análise #2.11 (Gala 3)

O "Factor X" regressou ao pequeno ecrã para mais uma gala repleta de talento, espectáculo, tensão e muita emoção.  Depois de um improvável bottom two que ditou um empate entre os jurados, os Pop4Roc abandonaram a competição por decisão dos portugueses.

No que à produção (técnica e de espectáculo) diz respeito, pouco mais há a acrescentar sobre esta terceira gala que ainda não tenhamos referido nas anteriores. Tornando nossas as palavras de Miguel Guedes dirigidas aos Babel na gala passada, um "salto quântico" foi o que aconteceu da primeira temporada do programa para esta. A fase das galas conseguiu finalmente impor todo o seu potencial televisivo e os poucos erros que ainda surgem depressa vão sendo corrigidos de uma semana para outra.

A equipa da Fremantlemedia Portugal parece ter finalmente entendido aquilo que é necessário com este formato e, apesar do esforço não compensar os baixos resultados audiométricos, o espectáculo que proporcionam gala após gala é motivo mais que suficiente para estarem satisfeitos com o trabalho até aqui desenvolvido.

Nesta gala assistimos à inclusão de um pormenor que, noutros tempos, aqui muito "imploramos": a VT de lançamento dos convidados. Tanto o Berg como os Blind Zero tiveram direito a este "mimo" esta noite. Nota também positiva para a participação de Sandra Nasic, vocalista dos GuanoApes, ao lado de Miguel Guedes.

A dupla de apresentadores mostrou estar melhor do que nunca e se já aqui havíamos elogiado Claudia Vieira, voltamos a fazê-lo. A também actriz está cada vez mais à vontade em palco e é, sem dúvida, uma mais-valia para o programa. Só é pena que não tenha acompanhado João Manzarra desde o início.

Deixamos também um destaque positivo para os mentores, ou melhor, para o "todos contra o Ventura". A competição começou finalmente a aquecer para estes lados – e até que enfim que daquela mesa começam a surgir algumas verdades em vez de elogios desmedidos. Sejamos sinceros: em nenhuma outra versão internacional do "The X Factor" os concorrentes são tão apreciados como em Portugal, mesmo quando interpretam da pior forma possível.

E não podíamos concluir a apreciação crítica desta terceira gala sem antes referir um aspecto que a marcou, a nosso ver, negativamente: o facto de tanto terem propagado a hashtag #factorxsic e de, em nenhum momento da emissão, terem lido um tweet que fosse. Também não ficaria mal, achamos nós, o regresso das mini entrevistas nos bastidores. Trata-se de um momento que confere uma outra dinâmica ao programa e que resulta muitíssimo bem em televisão mas que, inexplicavelmente, apenas aconteceu na primeira gala.

Passemos agora à análise dos protagonistas da noite: os concorrentes e as suas actuações. As escolhas musicais deste "Factor X" continuam, a nosso ver, a ser medíocres e se há concorrentes que, mesmo perante tais escolhas ainda conseguem brilhar, outros têm sido claramente prejudicados. O caso mais gritante da noite é o de Ruben, da categoria Adultos, que protagonizou um dos piores momentos desta terceira gala.

Mas a gala que teve como tema "músicas do século XXI" também recebeu grandes interpretações e elegemos como mais bem-sucedidos os seguintes concorrentes:
  • Kika, "Rolling in the Deep", de Adele
  • Pop4Roc, "21 Guns", dos Green Day
  • Babel, "Blurred Lines", de Robin Thicke
  • Mimi, "You've got the Love", de Florence and the Machine
No meio de tudo isto a grande surpresa da noite, e não pela positiva, foi mesmo o bottom two da votação do público. Incrivelmente, duas das melhores actuações da noite ficaram em risco de expulsão. Como muito bem referiu Paulo Ventura, voltamos aos "bons velhos tempos" em que os Grupos só porque são Grupos não recebem votos dos portugueses. Uma decisão no mínimo incompreensível. Talvez seja esta uma oportunidade de repensar o sistema de voto. Porque não, à semelhança do que se faz lá fora, incluir a votação via web ou numa aplicação para tablets e smartphones?

Perante um resultado que deixou todos de surpresa, a votação dos mentores ditou um empate e a decisão ficou por isso inteiramente nas mãos do público. Os Babel, com mais votos dos portugueses, foram salvos e os Pop4Roc disseram adeus ao "Factor X".


Terminamos a rubrica desta semana em jeito de reflexão e trazendo novamente à discussão um assunto que tem pano para mangas: as audiências. Muito se tem escrito sobre os baixos números da SIC nas noites de domingo, mas poucos são os que arriscam falar das más "almofadas" que o "Factor X" tem na grelha. Nós quisemos fazê-lo.

A má herança do "Portugal em Festa" (um programa que claramente não é feito para o público de Carnaxide e que acaba por prejudicar também o "Jornal da Noite") é, de facto, uma das causas para este insucesso de audiências. Mas Luis Marques parece não ter ainda constatado o óbvio. Veja-se o público que a RTP1 tem "roubado" à SIC com os filmes de domingo. E se dúvidas houver, recuemos ao prime time de sábado e atentemos no excelente resultado do noticiário com a herança deixada por um bom filme. Dá que pensar – ou pelo menos, devia dar!

3 comentários:

  1. O "Portugal em Festa" já existe há muito e não foi por isso que o Factor X não teve quase 17 de rating nos primeiros programas do ano passado. Penso que isso é o menos.

    Não vi o programa, por isso não sei como foram as actuações, mas pelos antecedentes não me choca este bottom. Os Babel são um grupo feito às três pancadas em condições muito duvidosas. E os Pop4Roc estavam queimados junto do público a partir do momento em que o Ventura os sobrevalorizou em relação aos grupos do ano passado; pessoalmente, lembram-me os Yeah! Land da 1.ª edição mas com muito menos emoção (as actuações que vi dos Pop4Roc deixaram-me sempre completamente indiferente).

    Fiquei sim surpresa em ver que eliminaram o Matheus na gala 2. Dos candidatos da Sónia ainda era o melhorzito, os dois que ainda lá estão são uma anedota.

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    1. É sempre importante ter uma boa antecedência durante o dia para impulsionar o programa. Ainda para mais, se o programa for bem promovido durante o dia, e estiverem muitas pessoas a ver o canal podem ganhar interesse em ver.

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    2. Não ponho isso em causa, só não acho que esse seja o principal factor para a lástima de audiências quando o programa chegou a fazer mais do dobro em condições parecidas.

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