segunda-feira, 3 de novembro de 2014

"Factor X" | a análise #2.9 (Gala 1)

Uma noite de regressos há muito desejados. De um lado, de uma dupla de apresentadores que desde 2012 não se encontrava no pequeno ecrã. Do outro, de uma estação que há mais meio ano não emitia em directo nas noites de domingo. Começaram as galas do "Factor X".

Um excelente vídeo de abertura protagonizado por João Manzarra e Cláudia Vieira marcou o arranque das galas da segunda temporada do "Factor X". Depois de uma fase de audições que contou com uma produção e realização irrepreensíveis, muitas eram as expectativas para os directos. Apesar dos muitos pontos negativos que se registaram, a primeira gala, e quando o pior já era esperado, conseguiu surpreender pela positiva. Melhorar o existente foi, de resto, a palavra de ordem. Mas vamos por partes.

Muito se especulou sobre a possibilidade do cenário das galas vir a ser renovado. Durante a semana, Júlia Pinheiro, directora de conteúdos da SIC, chegou mesmo a afirmar que seria o maior plateau alguma vez visto no entretenimento televisivo nacional. O certo é que, e sem grandes espantos, o cenário se manteve. Mas trouxe claras melhorias, como os novos grafismos dos ecrãs (mais bonitos e mais coerentes) e a melhoria da iluminação (com mais focos de luz, cujo reposicionamento embeleza o palco e deixa finalmente o público às escuras). Lamentar, no entanto, que não tenham apostado na elevação do cenário, à semelhança das versões internacionais, o que só viria engrandecer todo o estúdio e possibilitaria a colocação de uma câmara fixa no espaço em frente aos jurados - que, tradicionalmente, é uma espécie de fosso - e cujos planos são já uma imagem de marca de qualquer versão deste formato. Por cá, talvez tenhamos que esperar por uma terceira temporada para tal.
Também os oráculos registaram melhorias significativas, com a inclusão de alguns pormenores em movimento. Os vídeos de apresentação dos candidatos, à semelhança da fase de audições, apresentaram uma edição de topo que nada fica a dever às versões internacionais. A equipa gráfica e de edição deste "Factor X" está, sem dúvida, de parabéns. E qual não foi o nosso espanto quando, a fechar o vídeo de lançamento do primeiro concorrente, surgiu Augusto Seabra (voz-off da SIC) em versão speaker? Nem queríamos acreditar, de tão irreal que estava a parecer. Aquela voz que, na temporada passada, tanto insistimos para incluírem, e que faz parte do imaginário do "The X Factor" finalmente chegou a Portugal. Trata-se de um pormenor que pouco trabalho acrescido deve representar e cuja concretização confere imediatamente outro brilho ao programa.

Nota também positiva para o som, que nada tem a ver com o das galas da edição passada. Uma acústica limpa, sem ruído e com backing tracks de qualidade manifestamente superior. O espectáculo das interpretações saiu reforçado com a inclusão de adereços, bailarinos e fumos. Pormenores que, uma vez mais, a temporada passada quase pouco ou nada viu. Também a equipa de guarda-roupa (desde apresentadores, jurados e concorrentes) merece aqui um destaque positivo.

A dupla de apresentadores, e como seria de esperar, cumpriu. É notória a cumplicidade existente entre Cláudia Vieira e João Manzarra. E nota-se uma clara evolução da também actriz face ao desempenho em programas anteriores, como "Ídolos". A leitura das mensagens do Twitter, que agora se faz nos dois ecrãs laterais, continua a ser um das vantagens deste programa, ao qual se somou, nesta primeira gala, o acompanhamento permanente dos bastidores.

O grande "Calcanhar de Aquiles" continua a ser a filmagem, nomeadamente o posicionamento e movimento das câmaras. Depois de uma fase de audições quase perfeita, com a chegada das galas regressaram os velhos problemas - a começar desde logo pelo formato 4:3. Embora haja melhorias bastante significativas em relação à primeira temporada - como o posicionamento das gruas (uma de cada lado) que confere perspectivas interessantíssimas do cenário e a colocação de uma câmara no topo da bancada para a captação do plano geral do estúdio - persistem situações incompreensíveis como a câmara na traseira dos jurados e algumas câmaras moveis cujos movimentos chegam a enervar de tão inconstantes. Haverá algo de tão extraordinário em mostrar cabeças à frente dos planos? Parece-nos que não! Em todo o caso, são notórias as melhorias face ao passado. Aliás, não há sequer comparação possível. E, dado tratar-se apenas da primeira gala, há todo um caminho que ainda pode e deve ser feito no sentido de oferecerem uma melhor imagem a cada semana.

Mas, já que falamos de câmaras, é importante referir uma situação caricata que se repetiu ao longo de toda a gala: quer os jurados (no lançamento dos concorrentes) quer os concorrentes (na divulgação do número de televoto) pareciam não saber olhar para as câmaras correctas. A sensação que, imediatamente, passa é a de que este aspecto não foi bem trabalhado nos ensaios. Se assim é, esperemos que na próxima gala tal não aconteça. Referir, por último, duas situações em que o teleponto que Cláudia Vieira lia não estava em consonância com os grafismos colocados no ar. Nestes casos, parece-nos, a culpa não foi da apresentadora. embora tenhamos a certeza que muitos interpretaram como tal - e erradamente.

Passemos, agora, ao talento e à competição. O palco do "Factor X" assistiu a dezasseis magnificas interpretações, das quais destacamos pela positiva:
  • Ruben (Adultos), com "Kiss from a Rose", de Seal
  • Kika (Adultos), com "Respect", de Otis Redding
  • Pop4Roc (Grupos), com "The Look", de Roxette
  • Inês Morais (Raparigas), com "One and Only", de Adele
Pela negativa não houve, a nosso ver, nenhuma actuação que se destacasse. Os concorrentes foram, no seu todo, bastante competentes e proporcionaram a quem assistia em casa e também no estúdio bons momentos de televisão.

Mas mandam as regras do programa que, na primeira gala, um concorrente de cada categoria abandone a competição. E coube aos mentores salvar um entre os dois concorrentes menos votados. Depois de reveladas as preferências do público, Sónia Tavares, Paulo Junqueiro, Paulo Ventura e Miguel Guedes fizeram as suas escolhas.


Rúben Pires, dos Rapazes, Lúcia Mourinho, dos Adultos, XTAG, dos Grupos e Marta Carvalho, das Raparigas, disseram adeus à competição, que segue agora com doze concorrentes em jogo. Na próxima semana, o "Factor X" regressa aos ecrãs com a segunda gala e nós temos encontro marcado com a mais completa análise deste talent-show produzido para a SIC pela Fremantlemedia Portugal.

5 comentários:

  1. Foi visível uma enorme melhoria a nível técnico, embora ainda muito aquém das principais versões do programa.
    Mas fui vendo mesmo mais por curiosidade de como seria a dinâmica de eliminações nesta primeira gala, não penso voltar a acompanhar regularmente. O principal problema é que não há nenhum concorrente que me suscite grande interesse. Mesmo os melhores cantores, para mim, não trazem nada de particularmente novo, já houve outros do género em programas parecidos e não faz sentido fingir o contrário. Uma coisa que me irritou foi exactamente tantas actuações medianas terem sido seguidas por comentários excessivamente positivos. Quer dizer, nem 8 nem 80.
    A apresentadora para mim também muito pior do que o ano passado. É verdade que a dupla funciona melhor, mas, mesmo não sendo um primor, a Bárbara Guimarães sempre é uma apresentadora muito mais sólida do que a Cláudia Vieira (e sinceramente muito mais bonita também) , para a qual continuo a ver inúmeras desculpas, injustificáveis para alguém que está a apresentar o seu 4.º talent show.
    A dinâmica de eliminações acabou por ser a mesma do ano anterior (nada contra), mas não percebo então tanta insistência dos mentores em que o público votasse.
    Nos rapazes e nos adultos, aconteceu tudo exactamente como estava à espera. Nos rapazes, continuo a achar que o miúdo de 12 anos não se enquadra no programa. Nos adultos, não percebo porque é que uma concorrente de nome Ana Paula se apresenta como "Kika", nome profissional de outra cantora em Portugal... E não deixa de ser de lamentar a eliminação da única concorrente que cantou em português (e que sempre me parece mais fácil de conseguir carreira do que o cantor com o qual foi ao "bottom 2").
    Nos grupos, pensava que no bottom 2 iam ficar as PYT em vez dos Pop4Roc, mas já esperava que fossem as XTAG a sair (embora tenham melhorado imenso desde o bootcamp). O pseudo-grupo lá ficou...
    Por fim, nas raparigas, grande surpresa. Pensava que o bottom 2 ia ser exactamente ao contrário.
    Neste momento, os principais candidatos parecem ser a Kika e o Rúben, dois bons cantores mas que não me suscitam o menor interesse. E ele também já tem um álbum editado, por isso se for ele a ganhar espero que pelo menos não se lembrem de só nessa altura começarem a chover críticas por isso, como foi com o Berg o ano passado.

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  2. "E, dado tratar-se apenas da primeira gala, há todo um caminho que ainda pode e deve ser feito no sentido de oferecerem uma melhor imagem a cada semana."
    O problema é que na primeira edição também estivémos à espera, gala após gala, que aperfeiçoassem a filmagem, e nada. Continuam os planos esquisitos, os operadores de câmera a passar à frente do plano principal, os movimentos bruscos e inconsistentes... E os mentores nem sabiam para onde olhar, como foi referido, mas suponho que este problema não se vá repetir em futuros programas. Concordo que o som melhorou imenso desde a edição anterior.
    Também não gostei da ordem de actuação dos candidatos, assim em bloco divididos por categoria, achei que tirou muita dinâmica ao programa e tornou-o aborrecido.
    Quanto aos apresentadores, sinceramente não percebo porque são precisos dois. Seja a revezarem-se nas entrevistas, como o ano passado, ou a falarem os dois ao mesmo tempo com os concorrentes, como ontem, as coisas nunca correm de forma tão natural e fluida como se fosse só um. O Manzarra dava perfeitamente conta do recado.

    Concordo com a totalidade do comentário da Tânia, e também não tenho o menor interesse em nenhum dos concorrentes, ou porque já vimos disto tudo antes, ou porque sabemos, pelo tão fresco exemplo da edição anterior, que de facto não interessa quem ganha... Ninguém se torna mùsico/cantor de sucesso por participar, ou até ganhar, nestes programas.

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  3. No meu comentário anterior esqueci-me só de referir três pontos:
    - Grande parte das escolhas musicais foi de bradar aos céus; não só a música portuguesa foi quase uma miragem, como ainda por cima muita da música estrangeira apresentada é a real bosta, sobretudo aquelas musiquinhas foleirotas recentes.
    - O Ventura continua a fazer melhor figura calado; depois de todos os elogios aos grupos do ano passado e às críticas ao público por não perceber o trabalho dos grupos e não votar tanto neles (o que até é verdade), nos elogios aos Pop4Roc acabou por rebaixar todos os grupos do ano anterior só para elevar este novo quarteto; com isso, só conseguiu que os fãs dos grupos do ano passado o comecem a detestar a ele e aos Pop4Roc (que neste momento não são nem de perto candidatos à vitória)
    - Se o ano passado com sempre muito mais de 1 milhão de espectadores os convidados musicais foram quase sempre uma desilusão, este ano nem quero imaginar; mas até ponho as mãos no fogo em como vai lá o D8-AZ8 (uma vez que ainda não ouvimos a música do anúncio do Continente o suficiente).

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    1. Mais uma vez, completamente de acordo, Tânia.
      As escolhas musicais dos miúdos no The Voice Kids envergonham (ou deviam envergonhar) as dos mentores do Factor X. Mais uma gala, mais da mesma música foleira. E depois admiram-se que ninguém veja o programa.
      Quanto ao Ventura - que até era o meu mentor favorito o ano passado, pelo bom trabalho que fazia com a categoria mais difícil e por não ter medo de criticar o que devia ser criticado -, que postura mais vergonhosa. Dizer para as pessoas esquecerem os grupos do ano passado e os elogios que lhes fazia porque ESTES é que são bons diz muito do carácter dele, ainda por cima quando é o actual manager de uma das bandas (Aurora).

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    2. Exacto, isso é o mais esquisito de tudo, mesmo que seja só para fazer programa, estar indirectamente a rebaixar uma das bandas de que é manager não mostra grande competência profissional nesse campo. E nunca os Pop4Roc vão conseguir fazer sucesso como os Aurora.

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