quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Especial Óscares 2015 #4 | THE GRAND BUDAPEST HOTEL


Grand Budapest Hotel
por Ana Rita Machado

Humor, aventura e drama. Estes são os ingredientes do filme escrito e realizado por Wes Anderson: The Grand Budapest Hotel. A estória desenrola-se com a conversa entre Zero Moustafa e um jovem escritor, descrevendo a série de peripécias e aventuras que levaram Zero Moustafa de um jovem paquete ao dono do famoso hotel.

Baseando-se numa premissa relativamente simples, o filme recorre a diversos flashbacks e fastforwards de forma a contar as grandes aventuras de Gustave H., o antigo e exigente gerente do estabelecimento e como as mesmas, bem como a relação especial que o jovem paquete desenvolveu com o seu "mestre".

A narrativa e a edição decorrem de forma interessante, mantendo a audiência interessada no desfecho da estória. A cinematografia é cativante, bem como os cenários do hotel onde se desenrola a trama. O humor é divertido, vindo grande parte das gargalhadas pela bela prestação de Ralph Fiennes, que apesar de optar por um estilo não tão subtil, consegue dar uma prestação divertida e interessante. O restante elenco acaba por esmorecer um pouco na sombra do actor britânico, contudo, as prestações a nível de representação foram adequadas

De um modo geral, penso que o filme vale a pena ser visto, tendo todos os ingredientes necessários para um bom serão: boas personagens, boa música, boa estória, bom diálogo e um cheirinho a L’Air de Panache.

Um Hotel com humor qb
por João Ferreira

Quando ouvi falar de The Grand Budapest Hotel pensei, pelo título e sem ver qualquer imagem ou comentário, que seria um filme dramático de época ao estilo de séries como Downton Abbey, mas enganei-me. Apesar de ser uma produção de época, a comédia é o principal ingrediente desta narrativa que conta a história de Gustave H, um gerente de um famoso hotel, e Zero Moustafa, o paquete que se torna o seu amigo de confiança.

A história que acontece entre as duas guerras e envolve a luta por uma enorme fortuna de família (e ainda o roubo de um quadro renascentista) é contada sempre de forma bem-humorada e satírica. Tem também interpretações fantásticas, especialmente dos protagonistas, cujas expressões faciais e corporais chegam a ser geniais. Mas, ainda assim, The Grand Budapest Hotel não me puxou uma boa gargalhada.

Há cenas interessantes durante o filme, particularmente as que decorrem no comboio. É um filme interessante e com uma narrativa fluída. Agora, se é um merecedor do Óscar de Melhor Filme? Não creio!


O Grande Hotel do (pouco) humor
por Rui Teixeira

Pelo buzz que gerou no mundo cibernauta, o The Grand Budapest Hotel foi, talvez, um dos filmes para os quais parti com maiores expectativas. De entre as várias críticas e opiniões a que ia tendo acesso, retirava regularmente a ideia de que esta seria uma produção que, das duas uma: ou se adora, ou se detesta. Confesso que tal visão antagónica ter-me-á, num primeiro momento, assustado, mas tudo procurei fazer para eliminar tais ideias preconcebidas.

Se adorei? Não, não adorei. Se detestei? Também não, não é um filme de todo abominável. É certo que a estória não se presta à construção de um grande enredo e mais certo ainda que não há espaço para o desenvolvimento de personagens inesquecíveis. Mas até acabam por ser quase duas horas que decorrem com alguma tranquilidade.

The Grand Budapest Hotel está conceptualmente bem conseguido (em termos de fotografia e realização) e verdade seja dita, a narrativa (que tudo tinha para causar um aborrecimento extremo no público) até consegue envolver os mais atentos e interessados. Relativamente ao humor, e num filme que se assume como tal, bem, isso já terá faltado - em doses que, na minha opinião, foram fatais. É uma produção bem-diposta, mas não passa disso.

Tudo o resto é, aqui, secundário, e o produto final apresentado é, para mim, um trabalho mediano. De mais relevante pode retirar-se a construção da relação entre Gustave H. e o seu fiel paquete Zero Moustafa, cuja amizade incondicional acaba por ser uma das mensagens mais altas e bonitas desta estória.

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