sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Especial Óscares 2015 #6 | THE THEORY OF EVERYTHING


The Theory of Everything
por Ana Rita Machado

Um brilhante jovem universitário descobre que tem uma doença rara chamada Doença do Neurónio Motor, que implica que os neurónios responsáveis pelo controlo muscular deixam de funcionar devidamente, sendo o veredicto dos médicos mais dois anos de vida.

Este jovem, interpretado brilhante e excelentemente por Eddie Redmayne, é Stephen Hawking, um dos físicos mais influentes da nossa actualidade na compreensão do universo.

Este filme muito bem dirigido pelas mãos de James Marsh, é baseado no memoir de Jane Hawking e, como tal, conta-nos a vida do jovem Stephen e da luta que trava juntamente com a sua esposa contra a sua doença. Em primeiro lugar a música neste filme é excelente, pelo que penso que a nomeação de Jóhann Johánnsson é mais do que merecedora, complementando a cinematrografia de uma forma maravilhosa.

As prestações neste filme também são exímias. Não vale a pena exaltar mais a performance de Eddie Redmayne que se afundou completamente na personagem, sendo este certamente um turning point na sua carreira como actor. Felicity Jones, no papel de Jane Hawking, traz-nos o retrato de uma mulher disposta a fazer tudo para assegurar o bem-estar do seu marido, sentindo ainda assim a angústia, a dor, e a revolta que é ver a pessoa que ama deteriorar-se de dia para dia. Sem dúvida uma excelente e emocionante prestação por parte destes dois actores.

Em última instância, The Theory of Everything, é uma estória sobre resiliência humana, uma estória sobre a prevalência da mesma sobre até a mais desencapacitante das doenças. Fazendo minhas as últimas palavras do jovem físico no filme, "não deverá haver qualquer tipo de barreiras para o esforço humano".

A Teoria de Eddie Redmayne
por João Ferreira

Depois de The Theory of Everthing, tenho a certeza que Eddie Redmayne nunca mais vai ser esquecido do grande público. Apesar do bom elenco e das interpretações de excelente qualidade, este filme é de Eddie Redmayne. A interpretação do actor britânico é tão sublime, de uma genialidade e realismo, que quase que "corta a respiração" com a sua performance perfeita. (CLAP, CLAP, CLAP) Pessoalmente, fico feliz por esta ascensão dos actores britânicos no cinema mundial, pois quem como eu acompanha as séries britânicas, vê a qualidade e excelência que existe em Inglaterra no mundo da representação.

Tiro totalmente o chápeu a Eddie Redmayne com este filme. Para quem tiver curiosidade de ver outros bons trabalhos do actor, pode assistir por exemplo ao filme Les Misérables ou às séries Birdsong e The Pillars of the Earth. Para mim, não há outra hipótese senão a de ser ele a ganhar o Oscar de Melhor Actor.

Em relação ao elenco, a actriz Felicity Jones, que interpretou Jane (mulher de Stephen Hawking), também merece destaque pela sua interpretação. A jovem inglesa esteve exemplar no papel, conseguido, tal como Eddie Redmayne, transmitir aos espectadores as emoções vividas pela personagem.

Já em relação à história em si, que é inspirada no livro Travelling to Infinity: My Life with Stephen, é particularmente interessante pela mensagem de coragem e força que transmite ao espectador, mostrando que apesar de todas as limitações que possam existir, se quisermos é possível concretizar os nossos sonhos.

O guião, realização e a imagem do filme também são pontos fortes do que, em complementaridade com as interpretações dos actores, fazem com que o espectador fique preso ao ecrã. A banda sonora de The Theory of Everthing é mais um ingrediente positivo desta produção.

Contudo, e apesar de ser uma produção que merece ser vista, acho que não deve ganhar o Óscar de Melhor Filme. Mas, caso aconteça a Academia atribuir-lhe a estatueta, não será cometida nenhuma barbaridade.

O tudo de Eddie Redmayne
por Rui Teixeira

Aquando do seu lançamento, o hype em torno de The Theory of Everything foi incontornável. O facto de retratar no grande ecrã parte da vida do físico Stephen Hawking e dos desafios por si enfrentados com a doença do neurónio motor foi meio caminho andado para este sucesso mediático: uma boa estória de vida que toca as pessoas e um exemplo inspirador de superação que vende, que é comercial. Compreensível o burburinho, portanto.

O certo é que parti com as melhores expectativas para o seu visionamento, embora tenha relegado para um segundo plano a estória (até porque a mesma já era conhecida do grande público) e a parte mais técnica relacionada com o audiovisual. Concentrei-me, antes, na abordagem feita por James Marsh e, principalmente, nas interpretação dos actores. Neste ponto, The Theory of Everything foi vencedor.

Eddie Redmayne, no papel de Stephen Hawking, apresenta-nos uma performance irrepreensível, que toca, que emociona, que chega a arrepiar de tão sofrível, de tão real. Um papel de luxo, brilhantemente interpretado e que o rotula como um dos melhores actores jovens da actualidade. Na corrida ao Óscar de Melhor Actor, Redmayne é sem dúvida o meu favorito.

Felicity Jones, que interpreta Jane Hawking, merece também uma palavra de apreço. A britânica, também na corrida à estatueta de Melhor Actriz, dá muitíssimo a um filme que vive da cumplicidade entre estas duas personagens. É incrível a química que Felicity consegue estabelecer em cena com Redmayne através de uma troca de olhares, de um sorriso, de uma expressão facial. Recordo a cena em que Jane apresenta a Stephen um quadro com letras e números para este comunicar: não há como descrever a intensidade desta cena e chegam a não ser precisas palavras nas bocas dos actores, porque os rostos falam por si só. Soberbo.

The Theory of Everything conquistou as pessoas e é claramente uma das melhores produções dos últimos anos. Apesar de ser o favorito do público comum, não antevejo a sua vitória como Melhor Filme (há produções mais conceptuais, intelectualmente construídas e que certamente melhor encherão as medidas dos apreciadores e críticos de cinema). Posso confidenciar, contudo, que no meu top pessoal para esta categoria, The Theory of Everything ocupa o terceiro lugar.

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