sábado, 21 de fevereiro de 2015

Especial Óscares 2015 #7 | SELMA


Selma
por Ana Rita Machado

Realizado por Ava DuVernay, Selma trata-se de uma crónica sobre a campanha de Martin Luther King de forma a assegurar a igualdade de voto por via de uma épica marcha de Selma a Montgomery.

No que refere a realização, DuVernay fez um bom trabalho, um retrato modesto e realista de Martin Luther King, representando-o como uma pessoa, com as suas virtudes e defeitos, sem cair no erro de o idealizar como um herói.

Nesse sentido, a performance de David Oyelowo no papel do político norte-americano contribui muito para a afabilidade da personagem. Um representação muito terra a terra, muito subtil, aliada com um bom argumento, resultando num belo retrato no Nobel da Paz. Contudo, é de referir que tirando o protagonista, as restantes personagens não são de grande interesse nem muito trabalhadas, o que a meu ver é a maior falha do filme.

A música encaixa bem no contexto do filme, e no geral é um bom filme, que se salvaguardou de muitos erros onde poderia facilmente ter caído, contudo, surpreendeu-me pela positiva. Não considero que seja dos meus preferidos na categoria de Melhor Filme, no entanto, é um filme que vale a pena ver.


"One Day, when the Glory comes"
por João Ferreira

Martin Luther King, um homem de ideias e convicções, foi um marco importante na história norte-americana, especialmente na conquista dos direitos dos negros. Neste filme - e apesar de retratar uma luta em concreto (o direito de voto dos negros) que se trava na cidade de Selma - dá para perceber a importância deste homem que, apesar do seu final trágico, nunca deixou de lutar pelas ideias em que acreditava.

Acima de tudo, além de ser um filme histórico, esta produção transmite uma mensagem de esperança para a sociedade, fazendo-nos acreditar que é possível que ocorram mudanças - basta lutar para que alguma coisa mude.

Com uma boa realização, imagem e guião, o ponto mais fraco de Selma passa pela falta de ritmo que se sente em algumas situações. Já a banda sonora é, para mim, o ponto mais forte. As músicas encaixam na perfeição nas cenas, estando o tema "Glory" nomeado na categoria de Melhor Música Original. Se esta música ganhar o galardão, acho que será uma justa vencedora.

Em relação ao elenco, as interpretações são muito boas, mas confesso que pessoalmente a grande surpresa foi Oprah Winfrey. A conceituada apresentadora surpreendeu-me pela positiva com a sua prestação em Selma.

No geral, Selma é um filme a que vale a pena assistir, mas que a meu ver não merece ganhar o Óscar. Acho que esta nomeação foi mais uma forma de a Academia ficar bem vista, especialmente por tratar assuntos bastante delicados como o racismo, e também para mostrar que muita coisa mudou na sociedade americana. Contudo, e infelizmente, não mudou assim tanto. Mas não é só na América.

Uma escolha que fica bem na fotografia
por Rui Teixeira

Em Selma recordamos as históricas marchas pacíficas promovidas por Martin Luther King, em 1965, entre a cidade que dá nome ao filme, no interior do Alabama, e a capital desse mesmo estado, Montgomery. David Oyelowo é eficiente na interpretação deste activista político norte-americano, que deu na cidade de Selma um passo decisivo na luta pelos direitos dos americanos negros, ao reivindicar a igualdade de direitos eleitorais para esta comunidade.

A narrativa prima por enquadrar cronologicamente os factos a partir de duas vertentes: do relato dos jornalistas presentes e dos registos dos agentes do FBI que, na altura, espiavam as movimentações de Luther King.

Selma é, de resto, um filme igual a tantos outros, que retrata uma história já conhecida de todos e que, por si só, não justifica esta nomeação para Melhor Filme - principalmente quando comparado com outras produções que ficaram de fora desta tão desejada lista. Uma escolha da Academia para ficar bem na fotografia, precisamente a um mês de se assinalarem os 50 anos destas marchas históricas.

Além desta nomeação, o filme de Ava DuVernay está também nomeado para o Óscar de Melhor Música Original, pelo tema "Glory", interpretado pelo cantor John Legend e pelo ator e rapper Common - um prémio que, parece-me, deverá levar para casa.

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