sábado, 21 de fevereiro de 2015

Especial Óscares 2015 #8 | WHIPLASH


Whiplash
por Ana Rita Machado

Sem qualquer margem de dúvidas, este filme de Damien Chazelle, tem um beat único que o distingue dos restantes filmes nomeados para esta categoria.

Miles Teller (Andrew Neiman) interpreta o dedicado aspirante a baterista de jazz, num conservatório de prestígio que, tendo algo tanto de dedicado como de obstinado e perfeccionista, almeja ser um dos melhores bateristas de jazz do mundo. É neste conservatório que conhece o controverso e exigente Terence Fletcher, brilhantemente encarnado pelo actor J.K.Simmons, que decide incluir Andrew na sua banda, submetendo-os aos seus métodos rígidos e menos ortodoxos; puxando o jovem baterista ao seu limite.

A melhor palavra que consigo arranjar para descrever Whiplash é envolvente. As personagens, a cinematografia, a realização, o ambiente e principalmente a música seduzem a audiência de uma forma tão hipnotizante e tão envolvente que no momento em que os créditos finais aparecem, anunciando o final do filme, senti-me como se acabada de acordar de um transe.

Antes de mais, a minha grande palavra de apreço para Damien Chazelle, realizador e guionista do filme. Realização brilhante. É possível sentir a tensão e a pressão crescente com o decorrer do filme, chegando esta certas vezes a tornar-se incrivelmente desconfortável (num bom sentido). Para este ambiente, contribui também o argumento, referindo-me particularmente aos confrontos entre Andrew e Fletcher. Mais uma vez, duas excelentes prestações de ambos os actores: Milles consegue transmitir na perfeição a sensação de ser puxado até ao breaking-point, sendo possível sentir a sua personalidade a transformar-se com do decorrer do filme, até a um ponto em que já não é o mesmo personagem que conhecemos no início da trama. Por outro lado, J.K.Simmons é o "antagonista" perfeito para esta trama, com a sua postura ríspida, exigente e austera, sendo em grande parte a prestação deste actor que contribui para a tensão sentida ao longo da estória. 

A música também desempenha um papel importante no desenrolar do filme. Grande parte da imprevisibilidade sentida ao longo do filme é influenciada pelo score musical. O jazz tem aliado a si essa característica, essa imprevisibilidade, essa sensação de que a música é simplesmente criada no momento de improviso, e a batida envolvente mantém-nos envolvidos em cada cena e a cada passo do filme.

Este é, sem espaço para dúvidas, o meu favorito de todos os nomeados para a categoria de Melhor Filme. Combinando os ingredientes certos que o tornam no mais único, mais singular e mais genuíno dos filmes nomeados, Whiplash são se "apressou" ou "arrastou", acertando precisamente no "tempo".


Whiplash, em busca do Oscar
por João Ferreira

Whiplash é a prova viva de que, ao contrário do que muitos pensam, não é preciso histórias complexas e cheias de enredos para se fazer um grande filme. Esta produção de Damien Chazelle conta com uma história simples, um elenco pequeno e sem grandes enredose e o resultado final não poderia ser melhor.

Toda a história de Whiplash é envolvente, fazendo o espectador sentir que faz parte do filme, parecendo que está a viver todos os acontecimentos que se vão desenrolando. Desde o guião, a realização, passando pela imagem, a luz e a música (a banda sonora é simplesmente genial, mostrando o melhor do Jazz), culminando nas interpretações de Miles Teller e J.K. Simmons (que não dão apenas o corpo mas também a alma, tendo feito um trabalho de excelência) fazem deste filme um dos meus preferidos.

Desde o cair das lágrimas, do suor e do sangue de Andrew Neiman, personagem vivida por Miles Teller, até aos olhares e gestos de Fletcher (J.K. Simmons), e impossível não ficarmos arrepiados com a profundidade que têm em Whiplash.

Todos os ingredientes de Whiplash se interligam na perfeição. Caso não ganhe o filme que tenho no primeiro lugar do meu TOP - o The Imitation Game - espero que seja Whiplash a levar o Oscar de Melhor Filme para casa.


A "chicotada" de Chazelle
por Rui Teixeira

Em Whiplash, Miles Teller dá corpo (e alma) a Andrew Neiman, um jovem que estuda num conceituado conservatório dos Estados Unidos e ambiciona tornar-se num baterista de jazz de excelência. "I want to be one of the greats!" - não lhe chega ser bom, há que ser um dos melhores. É aqui que entra a personagem de Terence Fletcher, um reconhecido músico genialmente interpretado por J. K. Simmons, temido pela sua postura exigente e pelas suas atitudes menos ortodoxas e que dirige a banda da qual Andrew sonha fazer parte.

Ao ser recrutado para baterista de reserva, Andrew procura ser o melhor a qualquer custo, submetendo-se aos cruéis métodos de Fletcher. O sangue, o suor e até as lágrimas por si derramadas nesta busca incessante pela perfeição levam-no a tomar atitudes que jamais imaginou e a encontrar dentro de si um Andrew que julgava não existir. É notável o desempenho de Milles Teller e mais notável ainda a intepretação de J. K. Simmons; dois trabalhos de se lhe tirar o chapéu.

Com um argumento simples e objectivo, Damien Chazelle marca o compasso de um espectáculo de som e imagem que nos envolve do início ao fim. Uma realização dinâmica aliada a uma montagem sonora bastante precisa que fazem o nosso coração bater ao ritmo da bateria e transportam a nossa mente para o mundo singular do jazz. Em certas alturas, chegamos mesmo a tomar como nosso o peso das baquetas, o suor que escorre pelo rosto de Andrew ou o sangue que jorra das suas mãos, tal é a intensidade das cenas a que estamos a assistir. 

Este ofegante Whiplash não é, senão, uma história de paixão - a paixão pela música. Uma história sobre persistência, sobre ambição, que retrata na tela um lado realista (e ao mesmo tempo violento) do preço a pagar pela perfeição. Chazelle não traz para o grande ecrã um exemplo de perda e recuperação, mas antes uma estória sobre crescimento, sobre entrega e determinação, numa verdadeira "chicotada" psicológica que nos atinge e nos marca.

Perante as outras produções nomeadas para esta edição dos Óscares, Whiplash é para mim bastante superior e por várias razões: pela temática, pelas interpretações, pela fotografia, pela realização, enfim, por todos os pormenores e mais alguns que, em conjunto, resultam num produto final absolutamente brilhante e vencedor.

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