segunda-feira, 25 de maio de 2015

XX Globos de Ouro - A análise da Gala do Ano

As artes e o talento em português foram premiados em mais uma Gala dos Globos de Ouro, que comemorou este ano a vigésima edição. Para assinalar a data, a SIC e a Caras prometeram o melhor espectáculo dos últimos anos. Terão cumprido o prometido?

As expectativas para esta XX Gala do Ano eram imensas mas, face ao desastre da XIX edição, maior era ainda o receio de que tudo o que foi dito pudesse sair defraudado. Desde logo se falou de um grande espectáculo, de brilhantes interpretações musicais, de ritmados números de dança e, principalmente, de um majestoso palco cuja cenografia seria a melhor dos últimos anos.

E o certo é que, apesar das muitas dúvidas que pairavam no ar sobre esta noite, a SIC e a Caras cumpriram com o que prometeram e proporcionaram uma Gala como há muito não se via na televisão portuguesa e também no Coliseu dos Recreios. E conseguiram redimir-se do mau trabalho feito há um ano.

A noite de festa começou da melhor forma com um original vídeo que mostrou a montagem do espaço e onde nem Augusto Seabra (voz-off da SIC) nem Cristina Verdu (realizadora da emissão) faltaram à chamada. E prosseguiu com um excelente genérico, inspirado na própria arquitetura do Coliseu, num trabalho notável da equipa criativa da SIC que se reflectiu também nos oráculos, grafismos e vídeos exibidos durante a Gala.

Mas, inexplicavelmente, os separadores de identidade e intervalo que foram criados especialmente para assinalar a data acabaram por passar despercebidos ao longo de todo o dia de domingo - o que é de lamentar, não só pela sua enorme qualidade mas também pelo grande trabalho que, com certeza, esteve envolvido na sua concepção.

O primeiro impacto face ao tão badalado palco não podia ter sido melhor. Simplesmente soberbo! Arriscamo-nos mesmo a dizer que foi, de facto, a melhor cenografia até hoje apresentada em vinte anos de Globos de Ouro. Será muito difícil, no futuro, repetir esta proeza.

Caras bem conhecidas do "Ídolos", do "Factor X" e do "Achas Que Sabes Dançar?" protagonizaram a actuação musical de abertura, num número que aqui já tínhamos reclamado várias vezes para esta cerimónia. E convenhamos: faz todo o sentido apostar nos muitos artistas encontrados nos programas da casa, ou não fosse esta uma gala de comemoração.
Bárbara Guimarães, a anfitriã da noite, entrou em cena melhor do que nunca: elegante, bem-disposta e, acima de tudo, com um enorme sorriso no rosto. E assim se manteve ao longo das quase quatro horas de emissão, numa Gala em que partilhou o palco com 32 co-apresentadores e onde, apesar da grande duração, ritmo não faltou.

A originalidade e o bom gosto mantiveram-se nos vídeos que serviram de lançamento a cada uma das categorias premiadas. Neles foram recordados alguns dos primeiros vencedores destes Globos de Ouro, com destaque para o testemunho deixado por Eunice Muñoz, que emocionou toda a plateia e pôs o Coliseu a aplaudir de pé.

Um pormenor que aqui merece destaque diz respeito à entrada em palco das várias duplas de co-apresentadores. Uma ideia inovadora, onde o cenário (através da exibição de fotografias destas personalidades) teve um papel fundamental. Reforçamos, uma vez mais, a versatilidade desta cenografia e a forma como, ao longo da noite, se moldou às diversas situações.

A grandiosidade do palco verificou-se também no anúncio dos quatro nomeados para cada prémio (com a descida de quatro ecrãs) e na consagração dos vários vencedores, que tiveram ainda direito a capas personalizadas da revista Caras, numa alusão ao vigésimo aniversário da publicação.

Os momentos musicais da noite primaram pela excelência e parte do mérito deve ser endereçado à orquestra dirigida por Nuno Feist. Lamentamos, no entanto, que a actuação de Luciana Abreu e Vanessa Silva que deu início à segunda parte tenha sido feita em playback. Conhecemos as duas artistas e temos a certeza que ambas seriam capazes de cantar e dançar ao vivo, como aliás já fizeram várias vezes noutras edições dos Globos de Ouro.

César Mourão esteve irrepreensível na sua D. Clotilde e apresentou um humor apurado e inteligente que, sem ser brejeiro ou ofensivo, arrancou boas e sentidas gargalhadas ao público no Coliseu e, estamos certos, a quem assistia em casa. O público, de resto, envolveu-se com o espetáculo, riu, chorou, aplaudiu e vibrou a cada momento. Se o público (apático e ausente) contribuiu para o insucesso da edição passada, podemos dizer que este ano, e pelas razões contrárias, foi uma das mais-valias da Gala.

Quanto aos prémios (cuja lista completa pode consultar aqui), foram no seu geral entregues de forma justa e dentro do esperado. Lamentamos, contudo, a ausência de Cristiano Ronaldo, distinguido pela sétima vez com o Globo de Melhor Desportista Masculino. O melhor do mundo nunca compareceu nesta cerimónia, apesar dos vários convites dirigidos pelas mais altas entidades da SIC e da Caras. Ainda que tenha uma agenda preenchidíssima (não duvidamos disso), noutras circunstâncias conseguiu organizar o seu tempo para marcar presença em galas semelhantes (noutros países, sublinhe-se), o que só revela desrespeito para com estes prémios nacionais.

Já pelos motivos contrários, salientamos a presença dos também internacionais Sara Sampaio e Diogo Morgado - no caso da modelo, acabada de chegar de Nova Iorque e a preparar-se para uma nova viagem de trabalho, e no caso actor, a preparar-se para rodar mais um filme nos EUA, de onde tinha chegado poucos dias antes. Esta atitude comprova a humildade e respeito que ambos têm pelas suas raízes e pelo público português e mostra que não se deixaram deslumbrar pela fama conquistada além fronteiras.

O Globo de Ouro de Revelação 2014, uma escolha dos portugueses, foi entregue ao jovem actor Tiago Teotónio Pereira que, apesar de não ser estreante em televisão, viu em "Mar Salgado" e no seu Messias um reconhecimento do grande público. Destaque ainda para o prémio de Mérito e Excelência que, pela primeira vez, não foi atribuído a uma personalidade mas a uma entidade. No ano em que assinala 50 anos, a Rede Globo foi a homenageada com este Globo. Foi, para nós, uma autêntica surpresa, mas mais do que justa e merecida. A história da Globo cruza-se com a da SIC e em ano de aniversário da emissora brasileira fez todo o sentido esta distinção.

Resta dizer que, depois deste grandioso espectáculo, cresce a ansiedade (saudável) de que chegue a próxima edição, um sentimento por sinal bem diferente do do ano passado. Esperamos que no futuro a SIC e a Caras consigam manter este nível de qualidade e deixamos uma palavra de apreço às centenas de profissionais que ao longo de vários meses se envolveram na produção destes XX Globos de Ouro. Até maio de 2016!

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