segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Ídolos VI" | a análise #10 (Gala 1)

Arrancaram na noite deste domingo as emissões em directo da sexta temporada do "Ídolos". Andresa Tavares disse adeus à competição numa gala para a qual olhamos agora de forma alargada e pormenorizada.

Foi com as expectativas em alta que, depois de uma fase de castings marcada pela qualidade a vários níveis, partimos para a primeira gala do "Ídolos 2015". O balanço, de resto, não podia ser mais positivo, mas vamos por partes. Com uma interessante abertura (que soube tirar partido do remodelado cenário), apresentador, jurados e concorrentes puderam entrar em grande na primeira emissão em directo desta sexta temporada.

À cenografia utilizada na temporada de 2012 - que, já na altura, representou uma tremenda evolução - foram introduzidas algumas inovações que, embora resultando na redução da área do plateau, representaram um ganho significativo para o espectáculo. Destacam-se, por exemplo, a colocação de colunas nas laterais do palco, a renovação da base onde está assente a mesa do júri, o alargamento da bancada com introdução de escadas luminosas ou até a colocação das fotografias dos concorrentes no seu topo (e cuja cor irá alterar consoante as expulsões).

Fotografia de Rui Oliveira / FremantleMedia Portugal

Os pormenores acima referidos, aliados a um excelente trabalho gráfico nos led walls, nos oráculos e na própria edição das videotapes (vt's), são exemplos claros da aproximação à versão americana já constatada nas fases anteriores. Contudo, tal trabalho acaba por não resultar em pleno com um genérico já ultrapassado e que, visualmente, em nada combina com a actual imagem do programa. Se foi possível que nele incluíssem caracteres em tudo idênticos à da última temporada do "American Idol" (ver imagem), estamos certos que também seria possível a sua total renovação - e talvez o arranque dos directos fosse um momento estratégico para tal.


Ao longo de toda a emissão assistimos a uma realização cuidada, com planos bem pensados e estruturados, nomeadamente as transições entre as vt's e o lançamento das actuações por João Manzarra. Outra novidade bem conseguida passou pela divisão do ecrã em janelas durante as apreciações dos jurados e também nos momentos de apelo ao voto (ver imagem).


A existência de música ao vivo com uma banda residente - os "Bandídolos", também eles bastante elogiados durante a gala - permitiu uma qualidade no áudio e nos instrumentais que com backing tracks não seria possível. Também o trabalho de luz em estúdio foi bastante positivo embora, em determinadas actuações, os jurados se apresentassem excessivamente iluminados. Menos agradável, porém, foi o trabalho de guarda-roupa, maquilhagem e cabelos, designadamente o de João Manzarra que, convenhamos, já se apresentou bem mais cuidado noutras situações.

Numa gala que teve como tema "Isto Sou Eu", os doze finalistas cumpriram aquilo que era esperado para um primeiro directo. Não houve momentos estrondosamente surpreendentes e emocionantes, é certo, mas também não se assistiu a nenhuma actuação desastrosa. E contrariamente ao que costuma acontecer neste tipo de programas, a língua de Camões fez-se ouvir, o que, por si só, deve ser louvado. Na lista que se segue e que é referente às doze actuações, destacamos a azul as que para nós foram as melhores da noite e, a vermelho, aquelas que, embora não sendo más, menos brilharam.

  •  Albert "Tinho" - It's My Life dos Bon Jovi 
  •  Miguel M. Santos - Porto Côvo de Rui Veloso
  •  João Couto - Englishman In New York de Sting 
  •  Sara Martins - Take Me To Church de Hozier 
  •  Rita Nascimento - Superstition de Stevie Wonder 
  •  Luís Travassos - Tasco da Mouraria de Mariza 
  •  Andresa Tavares - One Last Time de Ariana Grande 
  •  Mário Pedrosa - Haja O Que Houver dos Madredeus (versão Diogo Piçarra) 
  •  Mafalda Portela - Human de Christina Perri
  •  Gonçalo Santos - Glory Box dos Portishead 
  •  Paulo Sousa - Fix You dos Coldplay
  •  Carolina Bernardo - Best Thing I Never Had de Beyoncé

No final das actuações, Diogo Piçarra regressou ao palco montado no estúdio 3 da Valentim de Carvalho, local onde em 2012 venceu a quinta temporada do talent-show. Agora na qualidade de convidado musical, interpretou Verdadeiro, o segundo single do seu álbum "Espelho", lançado em março deste ano.

Encerrada a votação telefónica, foi altura de revelar as preferências dos portugueses, e também neste processo houve novidades: os velhos cartões foram postos de lado e o protagonismo passou inteiramente para o grande led wall instalado no cenário. Nele foram surgindo os concorrentes, rodeados ou a azul (a salvo) ou a vermelho (em risco), num momento que ganhou em ritmo sem se perder tempo na leitura dos tradicionais textos que, como bem sabemos, nem sempre corria da melhor forma. Rita Nascimento, Andresa Tavares e Gonçalo Santos não agradaram aos portugueses, ficando em risco de ser eliminados.

Andresa Tavares foi a concorrente que obteve menos votos dos portugueses mas não foi eliminada de imediato. A concorrente teve ainda direito a uma atuação de um minuto e a decisão passou para as mãos de Maria João Bastos, Paulo Ventura e Pedro Boucherie Mendes que, à semelhança das últimas temporadas, detém um trunfo que apenas pode ser utilizado uma vez ao longo das dez galas: o de resgatar o concorrente eliminado. No final, os jurados optaram por não salvar Andresa, que acabou por ser eliminada da competição.


É claro e evidente o know-how que a FremantleMedia Portugal ganhou nos últimos anos, graças sobretudo às duas temporadas do "Factor X" que produziu. Esta experiência foi já visível no "Got Talent Portugal" (exibido também este ano) e encontra nesta sexta temporada do "Ídolos" o seu expoente máximo. Houve, apesar disso, um esforço de distanciamento face ao "Factor X", e não podia ser de outra forma. Achamos, ainda assim, que sendo formatos por si só tão distintos, a introdução de determinados pormenores que resultaram no "Factor X" - tais como os efeitos de luz e som que precediam as apreciações dos jurados, a personalização dos led walls aquando da leitura do Twitter ou até a existência de uma voz-off a anunciar os candidatos nas vt's - em nada iriam desvirtuar o conceito do "Ídolos".

São especificidades que aqui referimos meramente a título sugestivo e que iriam embelezar uma emissão que, de resto, já esteve muito perto da perfeição. De facto, podemos afirmar com toda a segurança  que assistimos a um excelente programa de televisão, cujo buzz gerado chegou até a alcançar o quarto lugar nos assuntos mundias do Twitter (um feito tremendo, em noite de Copa América). E o certo é que depois de um óptimo arranque só o melhor se pode esperar da corrida de nove galas que se avizinha (isto, claro, se não houver acidentes de percurso).

0 comentários:

Enviar um comentário