segunda-feira, 29 de junho de 2015

"Ídolos VI" | a análise #11 (Gala 2)

Numa noite dedicada ao cinema não houve saídas de cena. O júri fez valer do seu trunfo e salvou Mafalda Portela, a menos votada pelos portugueses, e na próxima semana a competição assiste a uma dupla expulsão.

Costuma dizer-se que em equipa vencedora não se mexe e, atrevemo-nos a dizer, num produto bem conseguido também não. Fazer alterações num bom produto pode representar um grande risco e das duas uma: ou o prejudica ou o torna ainda melhor. Algumas das mudanças apresentadas na segunda gala do "Ídolos" não resultaram e prejudicaram o desempenho geral de uma emissão que falhou em aspectos essenciais: no brilho, na emoção e no espectáculo.

De início, fomos logo surpreendidos com um palco negro que ao perder o logótipo do programa viu também perder parte da sua identidade. A olhar para os quadros dos concorrentes no topo da bancada (novidade que aqui elogiamos na semana passada) constatámos também que o quadro de Andresa Tavares, expulsa na última gala, não só não estava iluminado a vermelho (como seria expectável) como estava afinal sem qualquer tipo de iluminação.

Este decréscimo face à primeira gala foi ainda transversal à luz no estúdio (muito má nas actuações de alguns concorrentes), à filmagem e realização (com transições menos felizes e vt’s de menor qualidade) e, acima de tudo, ao som. Chegou a ser desastroso o trabalho de áudio, numa emissão onde aconteceu de tudo: microfones a falhar, problemas nas munições, concorrentes cuja voz mal se ouvia e auriculares que teimavam em cair.

A sétima arte deu o mote para um tema cheio de potencial que muito interesse suscitou durante a semana, mas que resultou afinal numa grande desilusão: concorrentes mal preparados, algumas interpretações muito fracas, comentários descontextualizados dos jurados, um guarda-roupa que deixou muito a desejar e um trabalho de produção que, como vimos anteriormente, recuou em qualidade face à primeira gala.

Face a tantos e sucessivos erros e perante a aparente falta de preparação de toda uma equipa arriscamos dizer que não foram feitos os ensaios necessários para uma gala que tudo tinha para surpreender. Refira-se, a esse propósito, o facto de na vt de Mafalda Portela e na sua fotografia divulgada nas redes, constar o cartaz da série "Daredevil" do Netflix ao invés do filme homónimo a que se deveria referir. Um erro que revela clara falta de atenção por parte da produção.

Temos consciência que este grande desapontamento resulta de colocarmos bem altas as expectativas depois de uma primeira gala surpreendente, e portanto só esperávamos o melhor desta segunda gala. Ainda assim, no meio de uma desilusão geral, salvou-se a prestação de João Manzarra, que esteve irrepreensível na condução da emissão.

Os "bate-bocas" entre Paulo Ventura e Pedro Boucherie Mendes, que até costumam animar quem assiste em casa e no estúdio, não conseguiram de todo convencer; teria sido bem mais interessante ouvir comentários assertivos sobre os concorrentes do que assistir a uma quase briga de crianças. E deixamos o recado a Maria João Bastos: Paul Walker não morreu durante a rodagem de um filme, mas sim ao regressar a casa depois de um evento de beneficência.

Apesar do produto final não ter sido o melhor, nem tudo nesta segunda gala foi mau. Houve espaço para alguns pormenores bem pensados e que aqui merecem ser referidos. Falamos, por exemplo, da abertura original inspirada no filme "Mad Max" e da inclusão de pipocas na mesa dos jurados, numa alusão ao tema da gala. Destacamos também a boa utilização das colunas laterais do palco que remeteram, em cada música, para os filmes a que diziam respeito. E elogiamos, ainda, a renovada vt de promoção ao televoto.

Quanto aos concorrentes, esperávamos mais, muito mais. E esperávamos melhor, bem melhor. Esperávamos mais entrega, mais emoção e muito mais talento. Esperávamos melhor preparação, melhores escolhas musicais e melhores performances. Num desfile de actuações que, de resto, não surpreendeu, destacaram-se as interpretações de Sara Martins (Yellow Flicker Beat), Miguel M. Santos (See You Again) e Rita Nascimento (There You Will Be).

Mário Pedrosa (Gone Gone Gone), João Couto (She), Paulo Sousa (Angel) e Gonçalo Santos (The Blower's Daughter), ainda que não tenham brilhado particularmente, cumpriram com o que era esperado. Já Luís Travassos (Mundo ao Contrário), Carolina Bernardo (My Heart Will Go On), Albert ‘Tinho’ (Happy) e Mafalda Portela (Bring Me To Life) apresentaram interpretações muito más.

A votação dos portugueses voltou aos bons (maus) velhos tempos. Não percebemos a presença de Miguel M. Santos no bottom three, que teve para nós uma das melhores actuações da noite, quando concorrentes com interpretações menos conseguidas não constaram, sequer, nos menos votados. Talvez esteja a ser castigado pelo público pelo parentesco, o que já começa a cansar.

Mais estranho ainda foi o desfecho da noite, que ao invés de um guião cinematográfico mais se assemelhou ao enredo de uma novela mexicana. Mafalda Portela, expulsa pelos portugueses, não chegou sequer a terminar a actuação de última oportunidade e foi interrompida por Paulo Ventura. Qual o motivo? Os jurados quiseram usar o trunfo a que tinham direito e salvaram a concorrente da expulsão.

Ora, se é certo que o percurso de Mafalda foi linear ao longo das várias fases, também é certo que a sua interpretação nesta gala mereceu estar nas menos votadas - e convenhamos, a sua expulsão não seria por demais injusta. E independentemente da escolha do público e por mais injusta que fosse, nunca, mas mesmo nunca este trunfo deveria ser utilizado numa segunda gala. Isto para não falar da forma como foi feito, que a avaliar pela reacção da própria concorrente soou a algo muito forçado, que quase já era esperado.

Foi, efectivamente, um erro crasso de Maria João Bastos, Paulo Ventura e Pedro Boucherie Mendes e que representa um risco enorme para o talent-show. Como resultado, na próxima gala assistiremos a uma dupla expulsão sob o risco de se perderem dois concorrentes que façam bem mais falta à competição.

Na semana passada, dissemos aqui que depois de um "óptimo arranque" só o melhor se podia esperar destas galas do "Ídolos". Mas fizemos questão de referir a possibilidade de ocorrência de "acidentes de percurso". Esta segunda gala foi, de facto, acidentada e esperamos que acidentes do género não se voltem a repetir num programa que reúne todas as condições para ter grande qualidade.

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