terça-feira, 14 de julho de 2015

"Ídolos VI" | a análise #13 (Gala 4)

A quarta gala do "Ídolos" ditou a expulsão de Mário Pedrosa. O concorrente foi escolhido pelos portugueses para abandonar a competição, numa decisão que depressa instalou insatisfação e polémica.

Pela segunda semana consecutiva a estação de Carnaxide colocou outro programa imediatamente após o "Jornal da Noite", empurrando a gala do "Ídolos" para a faixa das 22 horas. A estratégia parece ser clara: elevar as audiências do programa apresentado por João Manzarra. Mas os resultados obtidos não têm sido os melhores: o "programa almofada" arrecada bons números audimétricos e empurra o talent-show para lugares inferiores da tabela.

Mais grave ainda que os resultados obtidos é, no nosso entender, a aparente descrença da SIC no formato e que não conseguimos compreender, ou não fosse esta a melhor temporada do "Ídolos" a vários níveis, como temos vindo a constatar. O programa produzido pela FremantleMedia Portugal tem potencial, muito potencial, e depois de um forte investimento do canal no formato esperamos que esta não passe de uma experiência (mal-sucedida) e que, por isso, não volte a repetir-se.

Gestões de grelhas à parte, passemos à análise da quarta gala, em que os concorrentes foram desafiados a dedicar um tema a alguém especial. A emissão arrancou com uma actuação do grupo de finalistas ao som de Lean On (feat. MØ) de Major Lazer & DJ Snake. Ao lado de bailarinos e acompanhados por uma interessante cenografia, os candidatos a Ídolo levaram o público no estúdio e em casa até Bollywood. Foi uma excelente forma de dar início a mais um programa e que demonstrou um grande trabalho de preparação de todos os envolvidos (nomeadamente concorrentes, bailarinos e operadores de câmara).

Numa emissão que primou pelo sentimento, destacamos o trabalho de cenografia apresentado em todas as actuações e que confirma o know-how que esta equipa tem adquirido nos últimos anos. No que às actuações diz respeito, não houve espaço para grandes erros e foi talvez a gala em que o nível esteve mais equilibrado. Destacamos a azul os concorrentes cujas interpretações mais nos agradaram:

 - Mário Pedrosa - Hey Ho dos The Lumineers 
 - Sara Martins - A Pele Que Há Em Mim de Márcia com JP Simões 
 - João Couto - Reader's Digest de Miguel Araújo 
 - Rita Nascimento - Caçador de Sóis dos Ala Dos Namorados 
 - Paulo Sousa - Lay Me Down de Sam Smith
 - Mafalda Portela - With Ur Love de Cher Lloyd
 - Miguel M. Santos - Para Os Braços Da Minha Mãe de Pedro Abrunhosa
 - Luís Travassos - Maria de Tiago Betencourt
 - Carolina Bernardo - Your Song de Elton John

João Manzarra mantém-se em grande forma na condução do formato. E os momentos Twitter, com frases que chegam a parecer inventadas de tão divertidas que são, continuam a arrancar grandes gargalhadas. Maria João Bastos, Paulo Ventura e Pedro Boucherie Mendes tiveram também um interessante desempenho nesta gala: concentrados nas avaliações, sem atritos e sem bate-bocas. Foi, até agora, a emissão em directo em que este painel melhor interveio.

Feitas as actuações, foi altura de receber os GNR, conviados musicais da noite. O grupo do portuense Rui Reininho apresentou no palco do "Ídolos" o tema Cadeira Elétrica, o single do seu mais recente álbum Caixa Negra.

Depois de encerrada a votação telefónica, foi altura de revelar os três concorrentes com menos votos dos portugueses, Mário Pedrosa, Paulo Sousa e Rita Nascimento, um bottom three que imediatamente despertou insatisfação. Mas foi Mário que menos votos arrecadou junto do público e, por isso, disse adeus à competição.


Não vamos negar que o Mário Pedrosa constava no nosso leque de concorrentes favoritos - e pelo que se viu até ao momento, de muitos dos admiradores do formato. Mas sejamos objectivos: à luz das actuações da noite e de todo o percurso no programa esta foi uma saída claramente injusta. A revolta depressa se instalou nas redes sociais mas não podemos culpar quem votou em concorrentes que, decerto, mereciam menos. E muito menos podemos culpar quem não votou no Mário. Existe um único culpado por este desfecho: o sistema de voto, que é um problema comum a outros programas dos vários canais nacionais.

A tv portuguesa parece ainda não ter percebido que as pessoas não se dão ao trabalho de votar. Por muito apelo que haja, o televoto envolve custos e numa altura de crise os telespectadores não estão dispostos a fazê-lo sem algo em troca. Até já aconteceu ser sorteado um prémio monetário para um dos votantes mas, mesmo nesta situação, a votação exclusivamente por chamadas telefónicas continua a ser redutora e já está até ultrapassada - basta ver o que se faz lá fora.

Urge repensar a forma como os telespectadores se podem manifestar neste tipo de programas. Vivemos numa era totalmente tecnológica e informatizada e a internet, as redes sociais e as apps móveis deveriam entrar nesta equação. À semelhança do que se faz no estrangeiro, também poderiam ser estabelecidas parcerias com operadores moveis (através de sms ou chamadas grátis).

Mas a avaliar como as coisas correm por cá, tal evolução tardará em chegar. Faz até lembrar um certo 16:9 que tarda em chegar às estações privadas - e as galas do "Ídolos" iam ganhar tanto, tanto com esta formato de imagem. A haver uma sétima temporada do talent-show, esperamos que possa já chegar a casa dos portugueses integralmente neste moderno sistema de imagem.

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