sexta-feira, 3 de julho de 2015

OPINIÃO | "Agora... o fim!"


A 22 de setembro de 2014, a RTP brindava-nos com um day-time renovado, numa das maiores inovações de sempre do serviço público de televisão. Na antena da RTP1 ingressavam o "Agora Nós" e o "Há Tarde", dois produtos modernos, irreverentes e bem idealizados, que vieram romper com um modelo a que o principal canal público já nos tinha habituado - de programas monótonos, elitistas e até um pouco ultrapassados

As mudanças na programação não tardaram a manifestar-se, com destaque para o excelente desempenho no período matutino. O "Agora Nós" não só elevou os índices de audiência no horário como fez regressar à RTP um público que há muito havia perdido. Ao longo de quase dez meses de exibição, o "Agora Nós" propôs alguns dos mais interessantes conteúdos e rubricas do day-time. E foi ainda o palco para o nascimento de uma das melhores duplas de apresentadores do panorama televisivo nacional.

Mas, infelizmente, sempre que uma nova direcção de programas da RTP toma posse, imediatamente põe em causa o trabalho feito até então, como se de uma luta de poderes se tratasse. De facto, muitos produtos com a marca Hugo Andrade tiveram dificuldade a passar no crivo de Daniel Deusdado e, alguns deles, chegaram mesmo a ficar retidos. O "Agora Nós" foi um dos infortunados e disse hoje adeus ao pequeno ecrã, para em setembro regressar no seu lugar a "Praça da Alegria".

Daniel Deusdado justificou esta opção pela necessidade de descentralizar a emissão na capital e de dar voz a outros intervenientes. Até aqui, não podíamos estar mais de acordo. Mas será esta a única razão para o fim do "Agora Nós"? Não nos esqueçamos que o próprio director de programas foi colaborador da "Praça da Alegria" e, segundo dizem, nunca terá aceitado o fim do programa. Mas isso já são outras conversas, e não passam de especulações. O certo é que a "Praça da Alegria", tal como a conhecemos, está ultrapassada. Tudo tem o seu tempo e o ciclo deste programa há muito que tinha chegado ao fim.

Não nos parece, sinceramente, que a igual representação das regiões seja a maior preocupação de Daniel Deusdado. Veja-se, por exemplo, que o S. João no Porto não teve uma emissão especial durante todo o dia, tal como aconteceu em Lisboa com o Santo António. E este é apenas um exemplo das pequenas coisas que se poderiam mudar.

Ainda assim, e porque acreditamos que o Centro de Produção do Norte não deve estar restringido à RTP 2 e à RTP Informação, até deixamos a seguinte sugestão: porque não reformular o "Aqui Portugal", tornando-o num formato de estúdio dedicado às várias regiões do país, e colocá-lo diariamente ao final da tarde (17h-19h), em substituição do "Portugal em Directo" (que de directo não tem nada)?

Sugestões e opiniões à parte, a "Praça da Alegria" vai mesmo regressar. E até já se sabe que foi alvo de um rebranding, passando agora a chamar-se "A Praça". Mas persistem ainda muitas dúvidas em relação ao upgrade do formato, desde logo pelo cenário e conceito que, segundo Daniel Deusdado, tentará recriar as praças medievais. Estará a RTP1 a recuar no tempo e a preparar-se para voltar a ser cinzenta? Esperamos que não! Valha, ao menos, a inegável qualidade da equipa da RTP Porto e o profissionalismo de Jorge Gabriel, Sónia Araújo e Helder Reis que, certamente, farão o melhor trabalho possível.

1 comentário:

  1. Emissão especial todo o dia de Santo António? Claro,não há casamentos de S.João

    Não acredito que seja guerra norte/sul,mas as mudanças efectuadas são para que empresas externas à RTP deixem o lugar para os trabalhadores da RTP com contrato que estavam simplesmente sem trabalho.Ora se tem os profissionais parados..para quê equipas externas? Deviam perguntar ao sr Hugo Andrade quem lucrou com esse contrato com a Coral.E onde é que ele ,ou para quem,está a trabalhar!!?? Foi a paga do contrato chorudo que deu aos amiguinhos donos da Coral?É só investigar!!

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