segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“Ídolos” VI | a análise #17 (Gala 8)

João Couto, Luís Travassos, Sara Martins e Paulo Sousa. É este o top 4 do "Ídolos". A Rita Nascimento viu o seu percurso no programa chegar ao fim a apenas uma gala antes da grande final.

Votações anteriores já o tinham ameaçado, mas sem que nada o fizesse prever a Rita Nascimento disse adeus ao "Ídolos". Poderá estranhar, caro leitor, que comecemos esta análise pelo fim, mas infelizmente a oitava gala ficou marcada por esta expulsão - uma das mais injustas a que já assistimos em talent shows. E não o dizemos pelo facto de a concorrente em questão ser assumidamente uma das nossas favoritas; dizemo-lo porque foi, objectivamente, a concorrente mais bem-sucedida no conjunto das duas actuações - e no fim de contas, de nada lhe valeram o esforço, o trabalho e o talento.


Nunca é demais relembrar que esta rubrica de análise se baseia nos nossos gostos e opiniões enquanto telespectadores, que serão certamente corroborados por milhares de portugueses e contrariados por tantos outros. O público é soberano, costuma dizer-se, mas nem sempre é razoável nas suas decisões. O resultado desta oitava gala esteve muito longe de ser justo e, aparentemente, aquilo que aconteceu em palco em nada se reflectiu na votação dos portugueses.

Tal justifica-se, no nosso entender, pela existência de um sistema de voto ultrapassado (aqui já contestado), que é maioritariamente dominado por grupos de fãs organizados e pelo público feminino. Inexplicavelmente, a Rita Nascimento e a Sara Martins viram-se entre as menos votadas (numa tremenda injustiça face às suas actuações), enquanto que concorrentes com interpretações manifestamente inferiores garantiram um lugar na semifinal.

Mas vamos por partes e olhemos detalhadamente para uma gala dedicada à música dos reis da pop, que desde logo prometia todos os ingredientes para um grande espetáculo. Lamentavelmente, à semelhança da emissão dedicada ao cinema (a pior desta temporada), este potencial não foi aproveitado em pleno pelos concorrentes, em parte devido às escolhas musicais e a alguns arranjos que deturparam o que de melhor a música de Michael Jackson e Madonna tem para oferecer. Ora vejamos:

 PAULO SOUSA (5/10) >>  O Paulo deu o arranque a um desfile de dez actuações com a célebre Man In The Mirror, de Michael Jackson. Não entrou na melhor forma no tema, faltou-lhe força na interpretação, como consequência de uma primeira parte mais lenta. Na segunda parte, conseguiu reverter a situação e terminou com o ritmo que seria esperado, mas que ficou muito aquém de actuações que já apresentou.
Já do reportório de Madonna trouxe Four Minutes. A escolha não foi a melhor e resultou numa versão um pouco confusa que pecou, uma vez mais, pela adulteração do ritmo original. Esta tendência, de resto, tem acompanhado o concorrente em praticamente todos os temas que interpreta, o que poderá revelar algum medo de arriscar. Tal como referiu Pedro Boucherie, nesta fase da competição seriam esperadas escolhas mais inteligentes que melhor pudessem tirar partido da sua voz. Foi a pior actuação da noite.
A sua postura enquanto concorrente continua, aos nossos olhos, a não ser a melhor - basta ver o sorriso amarelo com que responde aos jurados sempre que os comentários lhe são menos favoráveis. Mas o certo é que, em virtude de uma carreira há muito consolidada nas redes sociais, o Paulo é o concorrente com maior número de apoiantes, e embora não seja a nossa escolha é talvez o principal favorito à vitória final (pelo menos, do público que vota).
 SARA MARTINS (6/10) >>  A Sara trouxe I Want You Back, de Michael Jackson, ao palco do "Ídolos", e protagonizou uma actuação animada, recheada de dança e espetáculo. A concorrente é, de facto, uma artista de mão cheia e, neste primeiro tema, esteve completamente na sua praia. Encheu o palco por completo e, dos cinco finalistas, foi a que melhor representou o eterno rei da pop.
Na segunda ronda deu voz a Sorry, uma das melhores escolhas de Madonna da noite. O espetáculo construído pela produção foi bastante interessante mas a Sara não o soube aproveitar e, ao longo de toda a interpretação, foram várias as imprecisões vocais que apresentou e a banda a sobrepôs-se à sua voz por diversas vezes. Os bons movimentos corporais, por si só, não foram suficientes.
Receamos ter sido mal interpretados quando, há uma semana, fizemos referência a uma postura menos humilde da concorrente. Trata-se apenas de uma percepção que fomos adquirindo nas últimas semanas através das suas reacções e que, nesta gala, voltamos a confirmar, nomeadamente pela forma como respondeu à avaliação de Pedro Boucherie. Mas sabemos ser justos e razoáveis e, apesar de não ter sido a sua melhor gala, a Sara não merecia constar no bottom two. Mas são vicissitudes de um errado sistema de votação, tal como já referimos anteriormente.
 RITA NASCIMENTO (9/10) >>  Foi ao som de The Way You Make Feel que a Rita homenageou Michael Jackson. Uma actuação forte, cheia de ritmo e cor, e onde a concorrente demonstrou que também sabe dançar. A par da excelente movimentação em palco (destacamos os movimentos em cima das cadeiras) a Rita não descorou na voz e a qualidade de intérprete esteve, como sempre, presente.
Na segunda ronda, a jovem dentista interpretou Like a Prayer. Uma interessante escolha musical onde demonstrou, à semelhança da primeira actuação, todo o seu potencial enquanto artista: um entrada brilhante no tema, uma postura muitíssimo sensual, uma coreografia arrojada e uma interpretação vocal cuidada. Foi, francamente, a melhor interpretação da noite na ronda dedicada a Madonna.
Se olharmos conjuntamente para as duas actuações, a Rita foi a mais equilibrada da noite. Foi a concorrente que mais trabalhou, que mais se esforçou e que apresentou em palco as performances mais exigentes. Mas, infelizmente, tal dedicação não foi suficiente para arrecadar os votos que lhe eram merecidos.
 JOÃO COUTO (7/10) >>  Já é público que o João é, a par da Rita, um dos nossos concorrentes favoritos - e agora, com a saída da concorrente, o único pelo qual estamos a torcer. Mas nesta gala dedicada aos reis da pop teve, para nós, as duas performances menos conseguidas do seu percurso. Não é que tenham sido más, mas talvez tenhamos colocado as expectativas demasiado altas, ou talvez não esperássemos versões dos temas como as que apresentou. O certo é que faltou ali qualquer coisa.
Na ronda de Michael Jackson, o João deu voz ao célebre Billie Jean, numa versão um pouco estranha que, apesar de um grande arranque, não teve aquele brilho tão característico deste tema. Ainda assim, em termos vocais apresentou-se irrepreensível (como seria de esperar), o que acabou por atenuar o arranjo menos conseguido.
Quanto a Madonna, o tema escolhido foi o não menos célebre La Isla Bonita, uma escolha inteligente que permitiu, uma vez mais, evidenciar a sua enorme versatilidade. Fazemos nossas as palavras de Maria João Bastos quando referiu que o João é super versátil e que qualquer coisa que lhe seja dada, ele canta, sempre acompanhado da sua simplicidade e do seu bom gosto musical. Este é, de facto, o seu grande trunfo!
 LUÍS TRAVASSOS (4/10) >>  Foi com Black And White de Michael Jackson que o Luís se apresentou na primeira ronda de actuações. A estrear-se a cantar em inglês, e logo com dois temas, as expectativas eram muitas. Se é certo que foi uma grande escolha e que o concorrente até se empenhou, também é certo que não cumpriu, de todo, o que era esperado e esteve mal do início ao fim: teve um mau arranque, apresentou inúmeras imprecisões vocais e foi por diversas vezes abafado pela banda.
Com Heartbreak City, de Madonna, assistimos a uma melhoria substancial face ao primeiro tema. Uma interpretação vocal bastante mais forte e sentida, em virtude do jeito de balada que este tema apresenta e que o concorrente melhor conseguiu tornar seu. Apesar disso, não foi suficiente para fugir às suas limitações vocais que se voltaram a fazer ouvir.
Avaliando estas duas prestações, o concorrente de Coimbra seria a escolha mais justa para abandonar a competição. Aliás, a julgar pelos resultados da gala passada (em que ficou nos menos votados), esperavamos mesmo que tal acontecesse esta noite. Mas o forte carisma e personalidade com que se apresentou no formato, nomeadamente nas primeiras emissões, foram suficientes para criar um público fiel.

Como já referimos no início desta análise, a expulsão de Rita Nascimento acabou por marcar negativamente toda a emissão, num desfecho que se sobrepôs àquilo de bom também aconteceu: falamos do ritmo de toda a gala, de uma produção cuidada, de um desempenho notável e divertido de João Manzarra e de uma correcta postura dos jurados.

Esta oitava gala ficou ainda marcada pela presença de um jurado convidado, Tiago Bettencourt, que substituiu Paulo Ventura (em serviço no Meo Sudueste) e fez companhia a Maria João Bastos e Pedro Boucherie Mendes. O músico fez-se ouvir também no palco do programa onde, ao lado dos finalistas, interpretou o seu single Morena.

A corrida ao título de novo Ídolo de Portugal prossegue agora com quatro candidatos. João Couto, Luís Travassos, Paulo Sousa e Sara Martins: um deles levará para casa um prémio monetário no valor de 30 mil euros, um contrato discográfico com a Universal e um automóvel Opel Corsa. A grande final acontece já no próximo dia 23 e a escolha está nas mãos dos portugueses.

Para terminar esta análise gostaríamos de fazer referência a uma suposta tentativa de manipulação de opiniões de que fomos acusados e que, alegadamente, estará por detrás dos nossos comentários e críticas. Ora, perante os resultados desta oitava gala, ficou bastante claro que o público tem uma opinião muitíssimo bem formada e não se deixa influenciar por quaisquer tipo de comentários e análises que, neste e noutros espaços próprios para o efeito, possam ser feitos.

Feito o esclarecimento, reforçamos a ideia de que a nossa opinião é apenas mais uma, como tantas outras de milhares de portugueses, e por isso continuaremos a trazê-la até aqui, todas as semanas, devidamente justificada e fundamentada. Até para a semana!

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