terça-feira, 25 de agosto de 2015

“Ídolos” VI | a análise #19 (Gala 10 | Final)

João Couto é o novo ídolo de Portugal. A escolha aconteceu no passado domingo naquela que foi a derradeira gala do programa da SIC e para a qual olhamos agora atentamente nesta análise.

Já envolvidos por alguma nostalgia damos início à análise da décima e última gala da sexta temporada do "Ídolos". Estamos certos que, quer ao vivo (veja aqui algumas fotos) quer na televisão, esta foi a melhor gala da temporada e arriscamos mesmo dizer que terá sido uma das melhores já feitas em doze longos anos do talent show em Portugal. Afinal, um grande programa de televisão não podia terminar de outra maneira.

Os dados audimétricos mostram que, ao longo de dezanove emissões, este "Ídolos" 2015 nem sempre foi recompensado pelos números (esses ingratos share e rating que tantas vezes condicionam a boa televisão), mas felizmente a qualidade esteve sempre lá. Numa altura em que o mercado acusa alguma saturação deste género televisivo, há muito para ser dito sobre esta temporada, mas para não desviarmos o olhar do principal foco desta análise - a grande final - tal balanço será feito numa edição especial que será publicada brevemente.

Foi com enorme satisfação que assistimos à vitória de João Couto e à sua consagração como novo ídolo de Portugal - nunca escondemos a nossa preferência enquanto espectadores assíduos do formato. A emoção e a surpresa depressa tomaram conta do jovem de Vila Nova de Gaia, mas acreditamos ter-se tratado de uma escolha justa dos portugueses (sabendo que não seria menos justa para qualquer outro finalista). Temos a certeza que João Couto é, a partir de agora, um nome a fixar no panorama artístico e musical português. Assim saiba aproveitar esta rampa de lançamento.

Toda a gala, de resto, foi marcada por momentos fantásticos, e começou com uma extraordinária actuação que marcou o regresso ao palco dos ex-finalistas. Seguiu-se uma original entrada em cena do anfitrião da noite, João Manzarra (que exibiu todos os seus dotes de graffiter) e uma recepção em grande ao painel de jurados composto por Maria João Bastos, Paulo Ventura e Pedro Boucherie Mendes (e que, ao longo das várias galas, poderia ter sido opção mais vezes).

Todo o trabalho gráfico e de realização desenvolvido para esta final - onde destacamos todas as vt’s, nomeadamente as que foram rodadas no Parque das Nações - merece aqui um grande reconhecimento. A equipa responsável pela idealização e montagem dos vários adereços cénicos mostrou também estar à altura das grandes produções que, todos os dias, nos chegam do estrangeiro. Lamentamos, ainda assim, que depois de uma presença regular ao longo das várias galas, o fumo não tenha aparecido nesta final; a sua utilização iria, certamente, imprimir um maior espetáculo em vários momentos.

Uma outra nota menos positiva vai para o facto de, durante a primeira parte do programa - e que foi a mais longa - não ter constado no ecrã da emissão a indicação de "Final". Tratou-se, possivelmente, de um lapso da equipa de continuidade da SIC (responsável pela inserção deste tipo de caracteres a partir da sede da estação, em Carnaxide) e ao qual a equipa da FremantleMedia Portugal (presente nos estúdios em Paço de Arcos) foi alheia. Muitos poderão achar esta observação desnecessária (e se calhar até o é), mas convenhamos que a ausência desta indicação durante a primeira parte pode ter ditado uma menor adesão do público - afinal, não estamos a falar de apenas mais uma gala do "Ídolos", estamos a falar de uma final, e com uma estreia na concorrência este pode ter sido um erro crasso.

De um modo geral, apresentador, concorrentes, bailarinos, jurados e técnicos - em suma, todos os envolvidos - mostraram estar bem preparados e coordenados para proporcionar um programa de televisão repleto de luz, cor, ritmo e emoção. Mas a atenção esteve sempre centrada nos protagonistas da noite, os três finalistas, e nas actuações que, em palco, apresentaram para conquistar o título de ídolo de Portugal.

Numa primeira ronda, que decorreu sem interrupções, cada um interpretou um tema à sua escolha. Na segunda vez em palco, João, Paulo e Sara reviveram actuações marcantes do seu percurso no "Ídolos". Na terceira e última ronda, e já com o terceiro lugar entregue, os dois grandes finalistas tiveram uma derradeira oportunidade para conquistar os portugueses. Olhemos atentamente para cada um deles:

 SARA MARTINS (8/10) >>  Com Valerie, dos, The Zutons, a Sara deu início às actuações da noite. Fizeram-se notar algumas falhas na sua voz, nomeadamente os tiques soluçados que aqui já fizemos referência, mas que são normais numa final - afinal, os nervos estavam à flor da pele. A performance valeu pelo ritmo e, acima de tudo, pela forte presença da concorrente em palco - e que grande presença teve!
Na segunda ronda, interpretou You And I de Lady Gaga, tema que havia levado ao concerto no MEO Arena. Foi notória a evolução da concorrente desde essa fase. E no palco pôde novamente mostrar que não é apenas uma intérprete, mas acima de tudo uma performer. Deixamos também uma nota muito positiva para toda a encenação que acompanhou a concorrente durante esta actuação.
Pela última vez no palco, a jovem de Barcelos deu voz a Cosmic Love, dos Florence and The Machine, numa interpretação genuína, sincera e sentida, com uma postura que já não apresentava há algum tempo neste palco - talvez desde a quarta gala, quando dedicou aos pais o tema A Pele Que Há Em Mim. Foi bom rever a Sara de antigamente, aquela Sara que nos havia conquistado aquando do Teatro. Foi a sua melhor actuação nesta gala e possivelmente uma das melhores ao longo de todo o seu percurso no "Ídolos".
 JOÃO COUTO (10/10) >>  Dos três finalistas, o João foi o único a cantar em português nesta final, o que por si é de louvar. Com Pica do 7, de António Zambujo, demonstrou uma vez mais a sua inteligência enquanto artista, numa interpretação irrepreensível que encaixou na perfeição no seu timbre vocal. É incrível a forma como o concorrente deixa transparecer a sua paixão pela música e o gosto de pisar um palco - e poucos são os artistas profissionais que o conseguem fazer com tanta verdade como ele espontaneamente faz.
Englishman In New York, de Sting, foi o tema escolhido para a segunda ronda. E se, inicialmente, esta escolha nos suscitou alguma estranheza (até porque a primeira gala não foi, de todo, a melhor do concorrente), assim que soaram os primeiros acordes e a sua voz se fez ouvir confirmou-se uma certeza: a de que não são precisos temas épicos e grandiosos para demonstrar um artista. O João Couto é a prova provada disso. Que grande momento!
Já na luta directa pelo título de ídolo, interpretou Something dos seus ídolos musicais, os The Beatles, e provou o porquê de ele mesmo ter sido assim apelidado. Se recuarmos ao início da competição, ninguém diria que este jovem tímido e "desengonçado" chegasse tão longe, e sem nunca ter figurado entre os menos votados. O João revelou-se o concorrente mais versátil desta temporada, aquele que mais cresceu, que melhor se transformou em palco, e se dúvidas ainda houvesse a esse respeito (e estamos certos que não havia), esta última actuação veio dissipá-las por completo. Temos ídolo!
 PAULO SOUSA (7/10) >>  Costuma dizer-se que o sucesso resulta de 10% de talento e de 90% de suor e neste "Ídolos" 2015 o Paulo foi o reflexo disso mesmo. Semana após semana, demonstrou ser um dos concorrentes que mais trabalhou e se esforçou para atingir os seus objectivos, mas o seu ponto fraco prendeu-se essencialmente com a fixação em registos musicais semelhantes, e que veio a abandonar já na recta final do programa. A sua primeira actuação numa noite de emoções fortes surpreendeu pela escolha: um mashup de Cry Me A River. O concorrente saiu da sua zona de conforto, arriscou e o resultado não podia ser mais positivo. Brilhante interpretação!
Pela segunda e última vez no palco do "Ídolos", o Paulo recordou, à semelhança da Sara, o concerto que antecedeu as galas em directo e trouxe Just The Way You Are, de Bruno Mars. Com um arranjo bem ao seu estilo, teve uma entrada em grande em palco e apresentou uma interpretação vocal cuidada que foi acompanhada por uma interessante interacção em palco com o par de bailarinos. Uma clara evolução face à mesma interpretação apresentada no MEO Arena. Ainda assim, talvez não tenha sido esta a escolha mais acertada para apresentar numa actuação onde tudo se podia decidir.

A presença de Conchita Wurst era um dos momentos mais aguardados da noite. Com o seu You Are Unstopable, a vencedora do Eurovision Song Contest 2014 deu voz a uma grande actuação que depressa se tornou viral nas redes sociais, inclusivamente a nível internacional. Por esquecimento ou por questões de tempo, João Manzarra não traduziu a entrevista feita à austríaca, situação que pode ter aborrecido alguns espectadores menos familiarizados com o inglês. Um erro a evitar e que caiu menos bem numa final de grande qualidade. Também o português Boss AC marcou presença nesta final com o seu recente single Tem Calma, Relaxa. A plateia aderiu, efusivamente, à boa energia desta actuação e, bastante afinada, entrou no ritmo do refrão.

Um momento de maior tensão chegou, entretanto, ao palco do "Ídolos". Falamos da revelação do terceiro lugar do pódio. Paulo Sousa foi o primeiro a conhecer o seu destino nesta final. As duas interpretações não lhe garantiram os votos suficientes para lutar pelo título de ídolo na derradeira ronda de actuações. O concorrente de Coimbra levou para casa um honroso terceiro lugar.


João Couto e Sara Martins regressaram ao palco para a derradeira oportunidade de apelar ao voto dos portugueses naquelas que foram (tal como referimos nas avaliações individuais acima) as suas grandes actuações da noite. No estúdio, a ansiedade era muita e estamos certos que em casa o cenário não seria muito diferente. A hora da grande revelação aproximava-se perigosamente, mas não sem antes serem recordados alguns dos melhores momentos desta temporada - e que grande temporada!

Por entre o balanço dos jurados e as palavras de agradecimento do apresentador, o momento mais esperado de todos chegou. A decisão estava tomada e restava agora revelar o escolhido dos portugueses. Num momento de grande tensão e suspense, João Manzarra anunciou finalmente o nome do novo ídolo de Portugal.



O momento da revelação de João Couto como novo ídolo de Portugal foi absolutamente fantástico, quer ao vivo quer na televisão. E o revestimento do estúdio a dourado, com o nome do vencedor em grande destaque no led wall, foi muitíssimo bem conseguido. No palco só faltaram mesmo os efeitos pirótécnicos já tão característicos destes anúncios - e que seriam bem mais grandiosos que os modestos confetis.

A consagração da sua vitória continuou com a apresentação emocionada do seu single Chama Por Mim, composto por Diogo Piçarra para o vencedor, a convite da Universal Music Portugal. O tema encaixou na perfeição na voz de João Couto e, durante o dia de segunda feira, entrou mesmo para o top de vendas no iTunes. Pode este ser um bom indício para o disco que, a partir de agora, João vai desenvolver com a produtora e que faz parte dos prémios do programa.

Além do contrato de artista, o jovem de Vila Nova de Gaia - e que é o vencedor mais novo de sempre do "Ídolos" em Portugal - ganhou também um automóvel Opel Corsa (que foi entregue por Liliana Campos) e um prémio monetário no valor de 30 mil euros que, como o próprio adiantou no final da gala, deverá ser encaminhado para prosseguir os estudos na área da produção e escrita musical.

Com um "Até sempre!" João Manzarra deu por encerrado mais um "Ídolos", numa despedida visivelmente sentida - ou não fosse este o formato que viu o apresentador crescer e o tornou num dos mais respeitáveis rostos do entretenimento televisivo nacional. Nós por cá adiamos este adeus até à publicação da análise especial onde, como referimos no início deste artigo, faremos um balanço global de toda a temporada.

0 comentários:

Enviar um comentário