segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

"The Voice Portugal" em análise | #2.9 (GALA 1)

Dezasseis concorrentes apresentaram-se ao vivo no palco do "The Voice Portugal", mas apenas metade garantiu presença na semifinal do próximo domingo. É para a primeira gala, marcada por alguns desfechos inesperados, que olhamos agora.

O directo é a fase nobre de qualquer formato de talentos e representa o verdadeiro teste para concorrentes, para apresentadores e jurados, para toda uma equipa de produção e, não menos importante, para os espectadores, que passam a envolver-se e a manifestar em tempo real as suas escolhas. Sobre o arranque das galas do "The Voice Portugal" da noite passada muito há a dizer, mas estamos certos que o sentimento global é agridoce.

Depois de vários programas gravados que primaram pela enorme qualidade só o melhor era esperado da primeira gala. No decorrer da emissão, algumas expectativas - que, diga-se de passagem, havíamos colocado bem alto - foram sendo desfeitas. Tratou-se de um mau arranque? Nada disso, seria até injusto se o disséssemos, porque efectivamente assistimos a uma boa gala. Mas foi apenas isso, uma boa gala, e esperávamos mais e melhor!

O bom aproveitamento do espaço e o desenho de estúdio conseguido pela equipa de cenografia são talvez os pontos mais fortes desta fase do "The Voice Portugal". No Estúdio 3 da Valentim de Carvalho não falta nada: há luz e cor, há público (em abundância), há banda (inteligentemente colocada numa plataforma superior), há painéis led em força (que propiciam cenários lindíssimos nas atuações) e há câmaras estrategicamente colocadas para captar os melhores planos. Só é pena que na abertura tudo tenha acontecido de forma um pouco atrapalhada: câmaras inseguras, focos de luz descontrolados que incidiram nas lentes e desfocaram as imagens e, pior de tudo, uma mistura de som que deixou muito a desejar.
A gala, de resto, passou a correr, com tudo de bom e mau que a expressão acarreta. Os mentores quase não se ouviram e quando falavam eram apressados pelos apresentadores; a Sala Vermelha (onde Jani Gabriel desempenhou na perfeição o seu papel) passou praticamente despercebida; e quase não houve tempo para suspense, para conversas e até para algumas brincadeiras que, convenhamos, também fazem parte destes formatos. A preocupação excessiva com os tempos acabou por condicionar toda a emissão e só se justifica por uma má planificação do alinhamento. Sempre fomos apologistas de galas ritmadas, à luz do que se faz lá fora, mas já diz a sabedoria popular que "nem 8, nem 80", e os instantes finais da emissão foram um verdadeiro sufoco.

A prestação de Catarina Furtado e Vasco Palmeirim não desiludiu. Tal como seria esperado, a dupla de apresentadores foi competente na condução da gala mas, como já referimos, o seu desempenho foi condicionado pela forte imposição dos tempos. Destaque igualmente positivo para os oráculos e vídeos de apresentação dos concorrentes, para toda a cenografia das actuações e também para o guarda-roupa.

O desfile de actuações ficou marcado por escolhas musicais em nada adequadas a uma primeira gala, culpa não só dos concorrentes mas principalmente dos mentores (a quem competia um papel mais activo e crítico neste campo). Faltaram interpretações grandiosas. Faltaram momentos emocionantes. Faltou, no fundo, uma boa dose de espectáculo. Os 16 candidatos ao título de "a Voz de Portugal" foram também sujeitos a análise e, nas tabelas seguintes, avaliamos as suas performances numa escala de 1 a 10 em três pontos distintos: interpretação, técnica e espectáculo.

LEGENDA:
SALVO PELO PÚBLICO
SALVO PELO MENTOR
EXPULSO
EQUIPA MARISA
RICARDO MESTRE
Earth Song, Mickael Jackson (rever)
Interpretação: 7 | Técnica: 8 | Espectáculo: 7
ALFREDO COSTA
Eu Sei, Sara Tavares (rever)
Interpretação: 7 | Técnica: 7 | Espectáculo: 5
PEDRO MACEIRAS
Closer To The Edge, 30 Seconds To Mars (rever)
Interpretação: 5 | Técnica: 5 | Espectáculo:6
SÉRGIO SOUSA
Nessun Dorma, Opera Turandot - Puccini (rever)
Interpretação: 8 | Técnica: 9 | Espectáculo: 7

EQUIPA ÁUREA
SORAIA TAVARES
One Night Only, Dreamgirls (rever)
Interpretação: 7 |  Técnica: 7 | Espectáculo: 8
INÊS CORTE-REAL
I Won't Give Up, Jason Mraz (rever)
Interpretação: 6 | Técnica: 7 | Espectáculo: 5
NAYR FAQUIRÁ
Oh Happy Day, Sara Tavares & Shout (rever)
Interpretação: 7 | Técnica: 6 | Espectáculo: 7
PATRÍCIA TEIXEIRA
It's a Man's World, James Brown (rever)
Interpretação: 9 | Técnica: 8 | Espectáculo: 8

EQUIPA ANSELMO
FILIPA AZEVEDO
Hello, Adele (rever)
Interpretação: 8 | Técnica: 9 | Espectáculo: 9
ALBINA BUSHMALYOVA
Elastic Heart, Sia (rever)
Interpretação: 8 | Técnica: 7 | Espectáculo: 6
JOANA MELO
Estranha Forma de Vida, Amália Rodrigues (rever)
Interpretação: 9 | Técnica: 9 | Espectáculo: 8
PEDRO GONÇALVES
Love Of My Life, Queen (rever)
Interpretação: 9 | Técnica: 7 | Espectáculo: 8

EQUIPA MICKAEL
SOFIA SILVA
Respect, Aretha Franklyn (rever)
Interpretação: 7 | Técnica: 8 | Espectáculo: 7
MILENE SOFIA
Mamma Knows Best, Jessie J. (rever)
Interpretação: 5 | Técnica: 7 | Espectáculo: 6
GUILHERME AZEVEDO
Can You Feel The Love Tonight, Elton John (rever)
Interpretação: 9 | Técnica: 8 | Espectáculo: 7
DEOLINDA KINZIMBA
Hero, Mariah Carey (rever)
Interpretação: 9 | Técnica: 9 | Espectáculo: 8

A expulsão de Ricardo Mestre (Equipa Marisa) e de Filipa Azevedo (Equipa Anselmo) apanhou-nos completamente de surpresa e acreditamos que a muitos espectadores também. Tendo em conta o percurso de ambos e o potencial artístico até agora demonstrado sempre os encarámos como potenciais finalistas de cada uma das suas equipas - uma opinião partilhada por muitos espaços de opinião da internet (de que é exemplo a nossa sondagem). Mas nem sempre os resultados do televoto acompanham as reais preferências do público fiel ao programa. E estas saídas inesperadas são, no fundo, um reflexo puro e duro do sistema de voto adoptado pela RTP e pela Shine Iberia Portugal.

Em espaços de análise semelhantes a este muito já escrevemos sobre este tipo de votação. Mas ao fim de tantos anos pouco mais há a acrescentar. Somos forçados a aceitar que, independentemente do canal, produtora ou formato, o nosso país está tristemente condenado aos 760! De que adianta este formato ser um fenómeno nas redes sociais (chegando inclusivamente aos trends mundiais) se estas potencialidades não são devidamente canalizadas? Aplicações móveis? Internet? Aparentemente não existem! Já nos conformamos com esta realidade. 

No próximo domingo, os oito concorrentes ainda em jogo sobem ao palco para aquela que, espera-se, seja uma emocionante semifinal. Mas apenas quatro (um por equipa) vão garantir um lugar na grande final do dia 10 de janeiro - sim, leu bem, 10 de janeiro. Uma das fases mais empolgantes do formato vai resumir-se a apenas 3 emissões, numa decisão que estará relacionada com questões de programação mas que é no mínimo incompreensível, quer pelo investimento já feito no estúdio e no cenário, quer pelos excelentes resultados de um formato que podia (e devia) ser rentabilizado em antena.

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