segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"Got Talent Portugal" em análise #2.2 | AUDIÇÃO 2

O Got Talent Portugal regressou à antena da RTP 1 recheado de talentos, artes e variedades. Da música à dança, do ilusionismo às artes circenses, o espetáculo foi a palavra de ordem de mais um programa vencedor.

Vanessa Oliveira e José Pedro Vasconcelos foram os anfitriões de mais uma emissão do Got Talent Portugal. A segunda temporada do programa (que na realidade é a quarta versão do formato em território nacional) é já um produto vencedor, não só por desmérito de uma concorrência fraca e despreocupada (como muitos tendem a afirmar), mas por muito mérito próprio. E não nos referimos apenas às audiências, por sinal excelentes. Referimo-nos a tudo o resto.

Depois de uma estreia arrebatadora, a equipa da FremantleMedia Portugal voltou a superar-se. Não caiu no erro de dar aos telespectadores mais do mesmo e fez mais, fez melhor. Em programas deste género o trabalho criativo é tão ou mais importante que a qualidade das audições. Por outras palavras, uma actuação mediana apresentada num embrulho cuidado resulta garantidamente melhor em televisão do que uma actuação de altíssima qualidade despida de qualquer produção.

De facto, os concorrentes ouvidos no palco do Coliseu dos Recreios nesta segunda noite de audições não foram, no seu todo, por demais espetaculares ou emocionantes. Mas os seus talentos, aliados a um programa muitíssimo bem estruturado, com um alinhamento exemplar e uma cuidada realização, resultaram num produto televisivo de enorme qualidade. Afinal é disso que estamos a falar: de boa televisão. E nesse aspecto o  Got Talent Portugal não tem dado hipóteses.

Visivelmente bem-humorados, os jurados avaliaram 20 concorrentes e apenas 2 ouviram um NÃO - um dado revelador da sua enorme generosidade. Mas não nos enganemos: esta generosidade existe tão somente para agradar a quem a recebe e a quem ouve (concorrentes e público, respectivamente). É o chamado "ser politicamente correcto", o "ficar bem na fotografia". E parece não haver volta a dar. Todos os programas de talentos nacionais, por mais bem produzidos que sejam, têm sucumbido a esta tendência - o sentimentalismo extremo já se enraizou no nosso ADN televisivo.

E sempre que os "vilões" do costume  (uma definição que recusamos mas que reflecte a visão do público) se atrevem a ser frontais e objectivos nas suas avaliações, todos sabemos o que acontece de seguida: ouvem-se assobios, chovem críticas e, às vezes, ressoam até algumas ofensas. Vejamos o exemplo de Manuel Moura dos Santos que, em grande parte das suas intervenções, é apupado pelo público, quando verbaliza aquilo que muitos pensam mas nem sempre têm coragem de dizer.

Somos assumidos adeptos da objectividade e da frontalidade e, como tal, acreditamos que os talent shows portugueses têm ainda um longo caminho a percorrer neste sentido. No mundo real, e principalmente em territórios artísticos, os comentários "bonzinhos" não abundam e um SIM não se arranca à custa de comoção. Mas este é, como já referimos, um problema estrutural, que parte dos emissores - os produtores de televisão - e se acentua nos receptores - o público. Ainda assim, e independentemente das suas exigências, o público também se educa e, portanto, estamos certos que aos poucos esta tendência irá mudar.

Voltemos a olhar para a segunda emissão do Got Talent Portugal. Dezoito concorrentes, das mais variadas áreas do espetáculo - uns mais talentosos que outros, é certo - garantiram um lugar na próxima fase da competição. Destaque ainda para o segundo botão dourado que chegou pelas mãos de Pedro Tochas e foi entregue a João Afonso, especialista de Pole Dance.

A segunda noite de audições encontra-se resumida na tabela seguinte:

REVEJA AS AUDIÇÕES CLICANDO NOS CONCORRENTES
AUDIÇÃO Nº2
ACROBACIA AÉREA
CANTO/COMÉDIA
ILUSIONISMO
TOCAR PIANO
DANÇA DE SALÃO
MONOCICLO
POLE DANCE
DANÇA
DANÇA
TREINAR ANIMAIS
PINTURA COM FOGO
DANÇA
DANÇA
DANÇA
MALABARISMO
MONOCICLO
CANTO
FORÇAS COMBINADAS
STRONGMAN
BANDA DE ROCK
LEGENDA:
APURADO
NÃO APURADO
BOTÃO DOURADO

VEJA TAMBÉM:
- "Got Talent Portugal" em análise #2.1  |  AUDIÇÃO 1

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