segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

ÓSCARES 2016: BROOKLYN | A Escolha de Eilis


Brooklyn é encantador e amoroso, para os corações mais sensíveis será mesmo comovente. Com uma envergadura sólida e um ar "muito britânico", é visualmente cativante e coloca-nos, sem sombra de dúvida, nos anos 50 e no espírito da época.

O argumento é simples. Eilis, uma jovem irlandesa, parte para os Estados Unidos com o objectivo de abraçar uma oportunidade de trabalho que não encontra na terra natal. Não se trata de uma emigração aventurosa. Parte amparada não só pelos esforços da irmã mas também pelo conhecimento de um padre que além de lhe encontrar o emprego, providencia-lhe o alojamento, e inscreve-a num curso superior de contabilidade. Em última instância, terá Tony, um americano filho de emigrantes italianos, com quem se envolve, lentamente, e que será uma das razões maiores da sua integração no novo mundo. Quando tudo não poderia correr melhor, um problema familiar grave trá-la de volta à Irlanda, onde surge um novo homem e, até, uma vida que antes não teria. No final, trata-se de uma escolha entre o sítio onde nasceu, que é sempre casa, ou o futuro que já tinha começado trilhar na América.

Saoirse Ronan, enquanto Eilis, oferece uma prestação de elevada qualidade, mostrando-se genuinamente vulnerável, quando o tem de ser, mas também dona e senhora de um novo destino que agarra com tenacidade. E que olhos! Há alturas em que o olhar diz tudo. Emory Cohen, enquanto Tony, foi, para mim, uma agradável surpresa, ao oferecer-nos uma actuação muito autêntica e genuína, em perfeito contraponto com Saoirse Ronan. Também a nós nos cativa. Jim, o rapaz que vem instalar a indecisão em Eilis, interpretado por Domhnall Gleeson, é, na minha opinião, a personagem menos desenvolvida que mereceria maior atenção, mas não deixa de ser eficaz. Em papéis secundários, Julie Walters, como proprietária da casa que acolhe Eilis, e Jim Broadbent, o padre, afiguram-se como os "pais emprestados" ideais para a suportarem na construção desta nova vida.

Tudo, mas mesmo tudo, bate certo neste filme notoriamente claro. Não é suficiente. É um pouco como visitar um museu, onde há peças que nos despertam interesse e nos fazem parar, e outras por onde, simplesmente, passamos os olhos e prosseguimos adiante. Não havendo nada de propriamente errado com Brooklyn, não há nada de extraordinário, que sobressalte ou motive esforço mental. Confesso-me até algo surpreendida com o meu estado de apatia e indiferença no final da visualização do filme porque existem razões de sobra para apreciar o filme. Não é o caso. Estou certa que para muitos é e será diferente.

BROOKLYN
Brooklyn (título original)
País: Canadá, Reino Unido e Irlanda
Género: drama, romance
Duração: 112 min
Realização: John Crowley
Produção: Finola Dwyer, Amanda Posey
Argumento: Nick Hornby
Elenco: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson, Jim Broadbent, Julie Walters

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