segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Uma noite de causas, surpresas e algumas confirmações


Se, em 2015, o espetáculo conduzido por um Neil Patrick Harris marcadamente nervoso pecou pela falta de ritmo, o mesmo não pode dizer-se da gala que, na noite deste domingo, teve Chris Rock como anfitrião. As mudanças implementadas pela nova equipa de produção da ABC foram evidentes ao longo das quase quatro horas de emissão, numa cerimónia que, tal como se previa, teve o seu foco centrado na diversidade racial.

Toda a gala, de resto, apresentou um discurso fortemente politizado. Chris Rock dedicou parte das suas intervenções à ausência de nomeados negros, uma temática também presente em vários vídeos humorísticos que foram exibidos. Mas as causas sociais não se ficaram por aqui e estenderam-se às questões ambientais (relembradas em palco pelo vencedor Leonardo DiCaprio), à comunidade LGBT (na voz do também vencedor Sam Smith) e houve até espaço para a apresentação de uma campanha contra a violência sexual sobre mulheres, lançada em palco pelo vice-presidente dos EUA e que culminou com actuação de Lady Gaga.

Causas e polémicas à parte, o certo é que a Academia de Hollywood preparou uma das mais ritmadas emissões de entrega de Óscares dos últimos anos, ainda que as audiências não o tenham espelhado - esta foi a gala menos vista desde 2008. No palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, foram muitas as mudanças de guião que se fizeram sentir, a começar desde logo pela inclusão em oráculo dos agradecimentos dos vencedores, e que veio encurtar substancialmente os discursos da consagração. Destaque ainda para o momento protagonizado por R2D2, C3PO e BB8, os três célebres robots da saga Star Wars, para a invasão de Minnions e para a presença em palco de Buzz e Woody, numa alusão aos vinte anos de Toy Story.

Também a ordem de atribuição das estatuetas douradas foi alterada, seguindo a inspiração daquela que será a sequência normal de realização de um filme. É para elas, as estatuetas, (cuja lista completa pode consultar aqui) que olhamos agora, numa noite em que se confirmaram a maioria das previsões, mas que deu lugar a algumas surpresas (embora não totalmente inesperadas).

Se, para espanto de muitos, foi Spotlight quem levou o galardão de Melhor Filme, Mad Max: Fury Road foi, sem surpresas, o recordista da noite, levando para casa seis troféus nas categorias técnicas (Melhor Montagem, Melhor Montagem de Som, Melhor Mistura Sonora, Melhor Direcção Artística, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Caracterização).

À sexta nomeação, Leonardo DiCaprio levou para casa o prémio de Melhor Actor, que muitos davam como certo. The Revenant valeu ainda a Alejandro G. Iñárritu o Óscar de Melhor Realizador (depois de no ano passado ter sido distinguido com o mesmo prémio por Birdman) e o de Melhor Fotografia a Emanuel Lubezki (que o vence pela terceira vez consecutiva).

A estreante Brie Larson foi distinguida com o de Melhor Actriz, pelo seu papel em Room. Mark Rylance e Alicia Vikander foram distinguidos com as estatuetas de Melhores Actor e Actriz Secundários, pelos seus papéis nos filmes Bridge Of Spies e The Danish Girl, respectivamente.

0 comentários:

Enviar um comentário